terça-feira, 22 de novembro de 2011

Vazamento de óleo mancha reputação.



Conheci os escritórios da Chevron no Rio de Janeiro e fiquei muito impressionado com a preocupação com a saúde, a alimentação e a segurança dos colaboradores. A empresa possui um ambiente de trabalho que transmite uma coerência entre o discurso e os valores divulgados corporativamente. O site da Chevron também tem diversos canais de comunicação e diálogo. A empresa está no Twitter, no Facebook e disponibiliza diversos releases, textos e publicações para apresentar seus projetos e sua organização.


Lamentavelmente, mais um acidente aconteceu (a Chevron também é acusada de uma "Chernobyl" ambiental no Equador). O vazamento no Campo do Frade ainda não tem um mapeamento preciso sobre os estragos, na fauna e na flora marinhas e também não há uma clareza de quanto óleo vazou nesse desastre. Outro fato negativo é que a empresa Transocean, que protagonizou com a BP o desastre - sem precedentes, no Golfo do México, é parceira da Chevron nessa extração de petróleo. Ou seja, a marca mais valiosa está apanhando muito mais (assim como aconteceu no Golfo do México).


O bombardeio da mídia e das ONGs, aqui no Brasil, é grande. A reputação da empresa está manchada e até a Polícia Federal entrou no cenário. Crime ambiental pode dar cadeia, além de multa (aliás, multar só não basta). Os negócios, entretanto, continuam, pois o mundo precisa de petróleo correndo nas veias mecânicas de suas indústrias, nos motores das máquinas de guerra dos exércitos e na legião de automóveis engarrafados nas ruas. Alternativas limpas ainda não estão disponíveis para se mudar a matriz energética (lembrem-se que o carvão mineral também é utilizado até hoje). De qualquer maneira, uma crise dessa natureza (literalmente) é um estrago violento para a confiança de uma marca que se pretende admirada, valiosa e confiável.




2 comentários:

Tatiana Maia Lins / Makemake disse...

Gaulinha, uma amiga minha trabalha na Chevron e mandou um email aos amigos mostrando a diferença entre o que a empresa apurou e afirma e o que a mídia publicou. Em alguns itens, se a versão da Chevron for a verdadeira, houve muito exagero na reportagem. De todo modo, tendo ou não a mídia exagerado, o que ficou, até o momento, foi sim uma mancha na reputação da empresa por aqui.

Luiz Antônio Gaulia. disse...

Tatiana, realmente há sempre um exagero. O negócio imprensa, às vezes não é "informar" mas "alarmar". Faz parte do negócio que precisa vender notícia. A capa da Carta Capital é um bom exemplo nesse sentido: bastante sensacionalista. Mas é assim que funciona. Cabe ao leitor mais esclarecido ler diferentes fontes e ler também as declarações oficiais da empresa.