domingo, 18 de dezembro de 2011

A felicidade está na vitrine.




Boas Festas: ao seu alcance na loja mais próxima! Ao custo de um parcelamento no cartão de crédito. Navalha no orçamento doméstico, mas só no mês que vem. Portanto, compre agora e pague depois. A utopia é uma festa de prazer. A realização individual aflora pelo corredor do shopping center. Catedral do consumo, templo de felicidade mágica e passageira.



Esta é a época do ano quando deveríamos refletir sobre a solidariedade, sobre a fraternidade, mas essa é uma propaganda chata e não temos tempo para pensar nos outros. O estacionamento está muito caro, as lojas estão cheias, os vendedores euforicamente simpáticos e desesperados. As vitrines ostentam sonhos. Transformados em mercadorias. O amor se industrializou e os nossos desejos estão materializados em bugingangas de diferentes naipes. Objetos coloridos como remédios de efeito inebriante. Embalados para comer, vestir, perfumar, presentear.



Como você não é feliz? Talvez porque você não veja o lado meio cheio do copo da vida. Mania de ver o lado meio vazio! Mania de não transformar o limão que a vida lhe deu, numa limonada. Você deveria sorrir mais, ser feliz, pois a vida é bela! Como um sapato novo, uma calça nova, um brinco novo, um amor novo. E descartável. Mas e daí?



Dezembro é um mês capenga: corre ensandecido para a noite de Reveillon, quando renovaremos nossos objetivos, nossas promessas, nossas contas a pagar. Vamos em frente! Não reclame, pois o Brasil já é uma potência econômica. A felicidade está em promoção, em cada esquina, em cada enfeite de Natal. Nos sorrisos da área comercial, no décimo terceiro - que chega e vai embora. O consumo oferece tudo. Esqueça a filosofia barata, esqueça os problemas: você merece ser feliz. Pequenas ambições? Sim é possível! Aquela roupa, aquele carro, um celular, uma geladeira com desconto de IPI, uma panela de pressão...



A felicidade está na vitrine, só não enxerga quem não quer ou quem é do contra (e deve ter algum problema). Hoje é dia de gastar, baby. É dia de compras, crédito farto, alegria instantânea. Don´t worry, be happy...now! Porque felicidade não tem preço, mesmo quando a conta for salgada.

5 comentários:

Anônimo disse...

Prezado Gaulia:
Falta profundidade na sua análise. Já que fala em sustentabilidade, sugiro a leitura de Altvater, Elmar: "Existe um marxismo ecológico"
Dele retiro trecho ilustrativo, transcrito a seguir.
"Para Marx, a razão da avareza é a existência de propriedade privada. Porque a propriedade privada converteu os homens em indivíduos tão estúpidos e enviesados, que apenas vêem um objeto como “seu” quando o possuem, quando existe para eles como capital (Marx e Engels, 1974). O dinheiro é introduzido como mediador entre o produtor e o homem com necessidades. O dinheiro é “o vínculo entre o trabalhador e as necessidades individuais, entre as necessidades e os objetos, entre a vida e os meios de vida, quer dizer, o alimento (Leben und Lebensmittel). O dinheiro é ao mesmo tempo deidade e prostituta” (Marx e Engels, 1974)."
HBruder

Anônimo disse...

Olá, Luiz,

Para mim, a época do ano para refletirmos sobre como, através de que sentimentos nos relacionamos, é qualquer época do ano. Estamos numa condição de descontinuidade, nem sempre nos lembramos do que realmente faz a diferença. Fazer o quê? Fazer cada dia.
Um ano acaba, uma vida continua.

Maria Thereza.

Anônimo disse...

Olá, Luiz,

Para mim, qualquer época do ano pode ser propícia `a reflexão sobre como, através de que sentimentos e atitudes nos relacionamos. Um ano acaba, uma vida continua. Viver a cada dia.

Um abraço, Maria Thereza.

Luiz Antônio Gaulia. disse...

Bruder e Maria Thereza, obrigado pelos comentários! Abraços,
Gaulia

Anônimo disse...

Como é trabalhar num ambiente feliz? Como a comunicação interna pode contribuir para isso?