sexta-feira, 30 de março de 2012

O que é "informação"?

Robert Kogan é professor emérito de física na Universidade de Toronto, no Canadá, além de pesquisador nas áreas de biologia, linguística, estudos de mídia, design e ciência ambiental. Foi colaborador muito próximo de Marshall MacLuhan e esteve no Brasil para lançar seu novo livro (com tradução da Profa. Adriana Braga) sobre a "propagação da organização na biosfera, na simbolosfera, na tecnosfera e na econosfera".
A PUC - Rio promoveu um curso especial com o mestre e eu tive o privilégio de participar. Entre outras questões, as conversas abordaram a linguagem, nossa primeira tecnologia informacional e a relação entre informação e significado, organização e comunicação entre outras complexas e fascinantes reflexões sobre este universo.
A obra de MacLuhan também foi revisitada através de seus mais conhecidos conceitos como a "aldeia global" e "o meio é a mensagem", propostas atuais num tempo de hiperconectividade digital onde os veículos desencadeiam múltiplos processos de compreensão, determinando o seu próprio conteúdo.
Quem quiser saber mais sobre o Prof. Kogan, basta visitar seu site: www.understandingmedia.org

sexta-feira, 23 de março de 2012

Para "vestir a camisa"...


O termo "vestir a camisa" foi usado abusivamente nos últimos anos dentro das empresas para traduzir o empenho, a dedicação e o compromisso dos empregados com a marca pela qual trabalham. É verdade que, como brinde de "endomarketing", camisetas ainda são objetos de desejo de muitos colaboradores - desde que venham com um design razoável e não tornem o empregado uma espécie de outdoor comercial ambulante.
Acontece, entretanto, que esse "vestir a camisa" saiu de moda numa grande maioria de casos e virou o figurino do sarcasmo interno. "Visto a camisa só de mentirinha" ou "Visto a camisa como jogador de futebol: quem pagar melhor me leva" são frases comuns quando fazemos pesquisas internas e descobrimos que nos corredores a motivação é baixa e o sentimento de desconfiança flui como névoa a contaminar o clima de trabalho, dificultando o atingimento de metas e o bom atendimento dos clientes.
Nessa passarela, é a Comunicação Interna que pode desfilar as soluções. Não só apoiar a gestão nas suas relações com os empregados, incentivando a coerência entre o discurso oficial e as práticas da boa gestão de pessoas, como também facilitar o entendimento sobre o porquê da falta de engajamento de alguns empregados, mesmo quando a liderança da empresa e as equipes de RH trabalham para construir um "great place to work". Se "suar a camisa" é obrigação do empregado, que seja com diálogo e transparência para percebermos que o tamanho da camisa precisa caber no corpo, sem causar apertos no coração.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Você e seu personagem.



Gustav Jung escreveu que nossa "Persona" representa as máscaras que usamos no dia a dia. São nosso papéis que "fingimos" ser no cotidiano. Com a "Persona" acreditamos que somos bons e justos, excelentes amigos, pais exemplares e que o mundo deveria girar ao nosso redor. Mas a realidade é ditada pela "Sombra", outra máscara na classificação de Jung. A "Sombra" nos coloca diante da realidade de nossos defeitos, vícios e de nossos sentimentos mesquinhos. Além delas, Jung, um dos fundados da psicanálise moderna junto com Freud, nos apresenta a "Alma" (Anima Mundi) e o "Velho Sábio".


Me lembrei dessas classificações assim que vi a notícia ilustrada acima, de uma adolescente fazendo mudanças cirúgicas em seus lábios para se parecer com a personagem do desenho animado "Roger Rabbitt": a sedutora Jessica Alba. Distribuir personalidades sempre foi uma questão inerente ao cinema com seus heróis, mocinhas e vilões inspirando comportamentos e estilos de vida para espectadores sonhadores. As mudanças, na maioria dos casos onde imitávamos os nossos astros, não passavam de trajes, do tom de voz, de olhares e maquiagens para as mulheres. Me parece surpreendente ver uma mudança física dessa envergadura. Se for verdade, o personagem assumiu o controle do ator e a fantasia destronou a razão. Mais que uma tatuagem, a modificação da boca dessa menina me remete a um novo tempo onde os limites entre a imaginação e a realidade se misturam. Acho grave quando a Persona desbanca a Sombra. Fica faltando um degrau vital para se atingir à Alma do Mundo e quem sabe, nos tornar um "Velho Sábio".


Seria isso um reflexo de um mundo dominado pela mídia? De um tempo onde é preciso se destacar da massa, através de toda sorte de atitudes "inovadoras" ou mesmo bizarras? Ou desespero de quem não encontra seu verdadeiro jeito de ser, num mundo de rótulos para consumo e espetáculos efêmeros?



terça-feira, 13 de março de 2012

Comunicação além do briefing.




Acontece amanhã, na FNAC na Avenida Paulista nº 901, a noite de autógrafos e lançamento do novo livro de Carlos Parente: "Comunicação além do Briefing". Parente é professor da ABERJE, ESPM e FGV e um comunicador de comprovada experiência em diferentes setores de atuação. Além disso é um baiano porreta e super boa praça!




A publicação sai pela Editora Lazuli.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Em quem você confia?




Os resultados da pesquisa global da Edelman conhecida como Edelman Trust Barometer, de 2012, foram apresentados hoje, no auditório da ESPM Rio, com o patrocínio da ABERJE. O "barômetro" apontou desta vez um declínio geral nos níveis de confiança, com quedas acentuadas em relação a governos e negócios. Pelo quinto ano consecutivo, as ONGs são a instituição mais confiável (menos no Brasil).


O dado ruim foi que o Brasil, em termos de confiança, perdeu a primeira posição em 2011 para a China. Interessante como uma ditadura pode ser percebida como "mais confiável" em relação a um país democrático, mas, pesquisa é como fotografia: depende do momento histórico, do lugar do sujeito entrevistado e também do formato das perguntas e técnicas utilizadas. Os fatores que podem ter afetado as percepções em relação ao Brasil, explicando a queda de confiança, de uma maneira geral, passam pela euforia com os anúncios do Pré-Sal, da Copa e das Olimpíadas embalados por um ufanismo exagerado, no ano passado, com uma descrença nas instituições, após vários escândalos políticos e denúncias de corrupção pelos jornais, além de greves com a dos Correios e dos bancos.



Na imagem acima, podemos perceber que a Mídia continua com uma avaliação melhor do que outros atores sociais. A Mídia foi a única instituição a ter um aumento da confiança em relação ao ano passado. No Brasil, entretanto, ela teve uma queda.


domingo, 4 de março de 2012

Gentileza gera gentileza.


O Metrô do Rio de Janeiro já foi marca admirada e defendida pelos usuários do serviço. Com o aumento do fluxo de passageiros e um maior número de estações, o serviço piorou bastante. Diante disso, não há solução de comunicação possível: quando o problema é de gestão, de entrega de um produto de qualidade, a comunicação sozinha não dá conta de preservar a imagem da marca.
Enquanto novos vagões não chegam para ampliar o espaço e o conforto, os passageiros vão se amontoando como podem (ou como gado?) nos horários de maior lotação. A matéria de hoje no O Globo mostra exatamente essa questão.
Para tentar amenizar as coisas, o Metrô está com uma campanha simpática: sobre a gentileza e a boa educação. Tenta convencer usuários a se comportarem melhor nos vagões. É muito justo. Tem muito passageiro mal-educado mesmo, lamentável. Mas se não tiver serviço de qualidade, o mau exemplo começa pela empresa, não tem campanha de comunicação que dê jeito. É sempre bom lembrar que o problema não é de comunicação. O problema é de gestão, administração, modelo de trabalho. Também não adianta colocar gravação de passarinho cantando nas estações. Não combina com a realidade.
E já que a paciência do cliente tem limite, vale anotar aqui o canal FALE CONOSCO: http://www.metrorio.com.br/faleconosco.htm que a empresa disponibiliza. Uma boa notícia, eles respondem!

sexta-feira, 2 de março de 2012

Seminários Internacionais Museu Vale (ES).



A Fundação Vale tem investido em programas de cultura e oportunidades de desenvolvimento territorial. O objetivo é buscar o fortalecimento das políticas públicas de cultura e promover a inclusão - em especial, de crianças e jovens.


O Museu Vale, em Vila Velha no Espírito Santo, faz parte da Fundação Vale e amplia o acesso da população aos bens culturais, à preservação das identidades culturais regionais e a valorização da memória e do patrimônio histórico brasileiro.


Entre os dias 14 e 18 de março, o Museu Vale vai promover a sétima edição dos Seminários Internacionais Museu Vale com o tema “Se essa rua fosse minha... – sobre desejos e cidades”. O tema fala da possibilidade do cuidar das cidades num mundo onde o homem habita predominantemente centros urbanos.


Nesse sentido, é urgente pensar em modos poéticos de se viver em cidades. Como diz Fernando Pessoa, professor da Universidade Federal do Espírito Santo e organizador do Seminário: "A questão da possibilidade de uma construção poética do espaço urbano surge da crítica à noção cartesiana do homem como consciência e do espaço como extensão geométrica, que estrutura a realidade dividida em sujeito e objeto. Não devemos pensar nem o homem nem o mundo como coisas já dadas, prontas e distintas – adverte Pessoa. Cabe ao homem cuidar de si construindo afetivamente o seu mundo. Afinal, nem o homem nem o mundo estão prontos, determinados; tudo está aberto a ser construído e reconstruído, pois a vida é regenerativa."

Inscrições somente pelo site www.seminariosmv.org.br

quinta-feira, 1 de março de 2012

Todo mundo tem um cliente.


Empresas baseadas numa cultura de serviços, de atendimento e satisfação do cliente (seja ele o colega de trabalho ao lado ou o consumidor que adquire o serviço ou o produto) buscam sempre a excelência ao cumprirem sua missão. Seja na prestação de um serviço diferenciado e encantador, seja na entrega de um produto além das expectativas, bem como na assistência técnica e no chamado “pós-venda” (item fundamental).


Num livro já clássico, "A Revolução nos Serviços - Como as empresas podem revolucionar a maneira de tratar seus clientes", Karl Albrecht aponta que é preciso ter em mente que "todo mundo tem um cliente - ou vários" e que se o seu cliente não está gostando do seu serviço, você não vai bem, nem nunca irá. Com crise ou sem crise, em tempos de vacas gordas ou vacas magras. Parece óbvio, mas muita empresa boa não faz esse dever de casa.


Marcas representadas por pessoas que sabem "atender as expectativas" dos clientes e ir além dessas expectativas, cuidando dos detalhes e dando atenção permanente ao cliente, ganham não só pontos positivos na sua reputação, como conquistam e mantém mercados. É bom lembrar que o sucesso nunca é definitivo: a tempestade da crise pode surgir de qualquer canto esquecido (como o descuido com o engajamento e o reconhecimento da equipe interna de trabalho).


Contudo, empresas e marcas que realmente se superam e sabem respeitar e encantar seus clientes, sobrevivem a qualquer crise, podem apostar!Não há mágica. É pura atenção, zelo e cuidado.