segunda-feira, 19 de março de 2012

Você e seu personagem.



Gustav Jung escreveu que nossa "Persona" representa as máscaras que usamos no dia a dia. São nosso papéis que "fingimos" ser no cotidiano. Com a "Persona" acreditamos que somos bons e justos, excelentes amigos, pais exemplares e que o mundo deveria girar ao nosso redor. Mas a realidade é ditada pela "Sombra", outra máscara na classificação de Jung. A "Sombra" nos coloca diante da realidade de nossos defeitos, vícios e de nossos sentimentos mesquinhos. Além delas, Jung, um dos fundados da psicanálise moderna junto com Freud, nos apresenta a "Alma" (Anima Mundi) e o "Velho Sábio".


Me lembrei dessas classificações assim que vi a notícia ilustrada acima, de uma adolescente fazendo mudanças cirúgicas em seus lábios para se parecer com a personagem do desenho animado "Roger Rabbitt": a sedutora Jessica Alba. Distribuir personalidades sempre foi uma questão inerente ao cinema com seus heróis, mocinhas e vilões inspirando comportamentos e estilos de vida para espectadores sonhadores. As mudanças, na maioria dos casos onde imitávamos os nossos astros, não passavam de trajes, do tom de voz, de olhares e maquiagens para as mulheres. Me parece surpreendente ver uma mudança física dessa envergadura. Se for verdade, o personagem assumiu o controle do ator e a fantasia destronou a razão. Mais que uma tatuagem, a modificação da boca dessa menina me remete a um novo tempo onde os limites entre a imaginação e a realidade se misturam. Acho grave quando a Persona desbanca a Sombra. Fica faltando um degrau vital para se atingir à Alma do Mundo e quem sabe, nos tornar um "Velho Sábio".


Seria isso um reflexo de um mundo dominado pela mídia? De um tempo onde é preciso se destacar da massa, através de toda sorte de atitudes "inovadoras" ou mesmo bizarras? Ou desespero de quem não encontra seu verdadeiro jeito de ser, num mundo de rótulos para consumo e espetáculos efêmeros?



2 comentários:

Anônimo disse...

Professor: conforme o Prf. Dr. Muniz Sodré, em seu "Reiventando a Cultura" (Ed. Vozes, 1996) podemos entender essas questões através de "um imaginário industrializado e encantatório que coloniza a paisagem humana" naturalizando expectativas quanto, não só às imagens (e personagens) espetacularizados, mas também a respeito de uma cultura enquanto evasão do real. Um refugo de existência, onde a memória é "amnésia coletiva".
Bom post!
Carlos Henrique (UFRG)

Tatiana Maia Lins disse...

Casos extremos assim me parece mais falta de amor na família, de aceitação, uma necessidade absurda de aparecer para ter atenção. Enfim, a mais pura carência. Voltamos ao núcleo familiar! De que meio veio essa menina? Quem deu o dinheiro para que fizesse isso? Quem não colocou limites? Quem quis que ela fosse outra pessoa para ser amada?