segunda-feira, 2 de abril de 2012

Marketing "do bem"...




O tempo passa e o tempo voa, já cantarolavam os personagens de uma comercial do Banco Bamerindus, instituição financeira que sumiu do mercado. A musiquinha continua na minha memória, como todo bom jingle publicitário. Outro banco que desapareceu (ou teria sido consumido?) nessa verdadeira guerra de fusões e aquisições, foi o Banco Real.



Muito antes dele se tornar o banco da sustentabilidade (posicionamento disputado hoje pelo Santander, Itaú, Bradesco e até pelo BB) um de seus anúncios foi fonte de inspiração para um filme que lamentavelmente nunca foi ao ar, apesar de sua mega produção. Naquele tempo (1989) publicitários, jornalistas, cineastas, designers e artistas se reuniam com sociólogos e ativistas para trabalhar gratuitamente (isso mesmo, 100% grátis) por uma causa. A causa era a Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, movimento capitaneado pelo IBASE e por Herbert de Souza, o Betinho.



As reuniões do chamado Comitê de Ideias eram, na maioria das vezes, na Oficina de Marketing de Nádia Rebouças e Antônio Jorge Pinheiro. E nessa época, tive a oportunidade de criar algumas peças com mensagens "engajadas" na causa, como a proposta do roteiro do filme explicado na matéria acima. O produto que vendíamos era a solidariedade, embalada com técnicas de marketing "do bem", tão comuns hoje em dia, mas com o detalhe da completa gratuidade. Ninguém ganhava nada pelo trabalho. Muito diferente da onda de ONGs profissionais e defensoras de causas que se deixarem de existir, colocam a própria organização no rumo de desaparecimento. Nada contra as ações capazes de apoiar políticas públicas e interferiar na sociedade de maneira consciente e cidadã, mas sabemos que hoje muita organização peca por escolher caminhos questionáveis na obtenção de seus recursos.



O fato é que nessa lembrança vieram imagens de momentos inesquecíveis, onde realmente o produto solidariedade aglutinava gente de diferentes setores e áreas numa construção real da utopia e da esperança. No filme, que nunca foi ao ar, por exemplo, publicitários, cineastas, fotógrafos, imprensa, artistas, empresários e mais uma legião de voluntários anônimos trabalharam com sorrisos largos e felizes, sem ganhar um tostão, simplesmente acreditando que era possível mudar uma realidade. Era o marketing do bem funcionando na teoria e na prática, fazendo acontecer.
















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