quinta-feira, 31 de maio de 2012

O envolvimento responsável e a prática do cuidado.

Algumas palavras têm a capacidade de perder sentido e cair muito rapidamente num imenso vazio. Desconfio que “sustentabilidade” é uma delas. Bem como o tal “desenvolvimento sustentável” que carrega em si mais perguntas do que respostas.

Numa análise mais crítica, vamos perceber que não existem empresas sustentáveis. Mesmo porque ninguém atingiu o perfeito equilíbrio entre as dimensões sociais, ambientais e financeiras que fazem o tripple bottom line e sua nova contabilidade para uma geração de valor de longo prazo. Por certo, temos boas práticas em construção e uma saudável busca por novos modelos de gestão. A questão, contudo, permanece cheia de interrogações.

Diante delas, faz-se necessário não somente um novo modelo mental, como defende o Prof. Evandro Ouriques, mas também um permanente pensar sobre a ética e a responsabilidade nos negócios, como já escreveu a Profª Patrícia Almeida Ashley. Lembrando que responsabilidade significa ter habilidade de resposta. E nós ainda não temos habilidade suficiente para responder questões que envolvem o aquecimento global, processos de produção industrial menos danosos ao meio ambiente e ao homem, soluções globais para a miséria, a corrupção, a agressão ao direitos humanos fundamentais, entre outras. Talvez nem tenhamos consciência de que nos falta tal habilidade.

Neste sentido, vejo que uma nova terminologia poderia ser muito mais útil para tratar de dimensões ainda tão distantes da nossa realidade, de nossas rotinas coletivas e individuais. A começar pelo Desenvolvimento Sustentável. Pergunto se des - envolver não seria exatamente a contramão do que prega a sustentabilidade, enquanto rede de conexões e interdependências de diferentes atores sociais? Des-envolver, neste sentido, seria um termo que alavanca a fragmentação e que vai contra a visão sistêmica necessária ao entendimento dos impactos de nossas ações sobre as variáveis sociais, ambientais e econômicas. Além das variáveis culturais, emocionais e por que não, espirituais.

Precisamos de um movimento cada vez mais interativo, colaborativo e integrado de...envolvimento! Envolvimento como sinônimo de cuidar. O envolver-se com questões globais mas também com a sociedade local, com a diversidade de ideias, numa relação permanente entre múltiplos atores. Uma proposta de maior responsabilidade por nossos atos diante da vida, de hoje e de amanhã.  Portanto, que o envolvimento responsável torne-se a prática do cuidado, verdadeira construção da sustentabilidade pois antecipação criteriosa de projetos futuros e prudência vital na administração de projetos (individuais ou coletivos) em curso.

domingo, 27 de maio de 2012

V Congresso da Indústria da Comunicação.


   O V Congresso da Indústria da Comunicação acontece a partir desta segunda-feira, de 28 a 30 de maio no World Trade Center, em São Paulo (SP) e pretende ser um marco para a comunicação brasileira. Em sua quinta edição, seu foco deixa de ser apenas a publicidade e a propaganda e ganha abrangência sobre as principais questões que afetam a indústria da comunicação brasileira: liberdade de expressão, corrupção, sustentabilidade, mídias digitais, tecnologia, consumo, privacidade e claro, criatividade e qualidade de serviços e de atendimento ao cliente.

Veja mais em:http://www.vcongresso.com.br/#comissoes

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Publicidade: planta carnívora engole sapo.

Eparema é um produto tradicional, no mercado desde 1934, e sua nova campanha publicitária traz num tom bem-humorado um sapo, que faz par com a "garota" propaganda da marca, uma planta carnívora.

Criada pela agência NBS, a mensagem reforça os lançamentos dos novos sabores e embalagens deste medicamento fitoterápico. O filme com versão de 30 segundos e de 15 segundos, utiliza a computação gráfica e a tecnologia 3D para produzir animações divertidas e traduzir um discurso descontraído para abordar a má digestão.

sábado, 19 de maio de 2012

Tylenol para os atletas.

Seis horas de pura energia, sem dor. Apenas disposição. É o Tylenol líquido - não o remédio, mas a bebida energética criada para estimular a turma da malhação. Uma estratégia de marketing que insere o remédio na categoria de alimentos funcionais ou vice-versa (aliás, a Nestlé, a Danone e outras empresas também estão mergulhando nesse mercado).



Na verdade é um retorno às origens, agora embalado devidamente pelo marketing e por um design sempre diferenciado e sedutor. Afinal quantas comunidades indígenas não tinham conhecimento de chás, ervas e raízes que, na medida certa, eram alimentos capazes de curar dores, doenças ou mesmo estimular os membros da tribo nos seus rituais ou na suas longas caçadas pelo meio do mato?

quinta-feira, 17 de maio de 2012

  
A comunicação organizacional precisa ser integrada, permanente e criativa. Precisa representar os valores da marca e engajar empregados para cativar clientes, consumidores, mídia, fornecedores e investidores. Precisa ser estratégica, planejada, segmentada e ter senso de oportunidade, sempre atenta aos cenários de risco. Precisa educar para a construção da sustentabilidade e refletir, com coerência, as práticas existentes, como o reflexo de uma gestão inovadora - exigência da dinâmica de um mundo globalizado e competitivo.

  É preciso contar a história da empresa, da marca, do negócio ou do produto, bem como dos sujeitos que fazem as promessas acontecerem: de maneira cativante e verdadeira. A simplicidade da verdade é a chave de uma sedução confiável, que fortalece vínculos e relações, sabendo cuidar de detalhes e de sonhos. Sabendo respeitar as pessoas.

  Esta é a comunicação na qual acredito e com a qual trabalho.Esta é a comunicação que faz sentido, revelando significados, motivações e potencialidades.

sábado, 5 de maio de 2012

A marca chamada "Você".

Em 1997, Tom Peters publicou um artigo na revista Fast Company falando sobre uma tendência: a marca chamada "Você". Um novo modelo de marketing individual, onde cada pessoa é como um produto que precisa ter atributos e qualidades únicas e diferenciadas dos demais. Como seria a sua marca no mercado?

Aqui no Brasil, a revista Você S.A. surgiu nesse movimento, trazendo conteúdos e informações sobre essa tendência que navegava nas ondas do neoliberalismo da época. Tendência que se espalhou entre executivos e colocou a carreira profissional como sinônimo de sucesso de vendas de um produto inédito: a capacidade de cada profissional se manter "vendável" nas prateleiras das empresas.

Os anos se passaram e percebo que a tendência, na verdade, se sedimentou. Fincou raízes nos comportamentos e atitudes individuais num mundo onde o "Show do EU" está em cartaz permanente - que o digam as redes digitais sociais. Onde a consciência (ou responsabilidade?) pelo cuidado com o bem público se esvaziou. Quem cuida do bem público, aquilo que é de todos? Quem faz esse discurso, pelo que é público, ainda são os políticos - classe cada vez mais desacreditada.

Nas empresas, quem estimula o trabalho conjunto na busca dos objetivos comuns é a comunicação interna, direcionada pela liderança. Mas, no fundo no fundo, o que vemos é uma intensa competição de egos, vontades e indivíduos buscando agregar valor a sua marca pessoal. O vírus da marca VOCÊ S.A. ( "A Brand called You") se propagou em escala global. E veio para ficar...

terça-feira, 1 de maio de 2012

A explicação da Delta.

Interessante...no final da mensagem, a Delta apela para seus 30 mil empregados (que agora correm um risco alto de verem seus empregos sumirem por conta do mau exemplo de seus líderes), para vencer a mega crise que foi plantada ao longo dos últimos anos.


Está na hora de se perguntar: quanto vale hoje seu emprego na Delta, estampado no seu curriculum vitae?

O exemplo do líder.

Em qualquer organização é o líder quem mostra o exemplo, o verdadeiro "jeito de ser e de agir" da empresa, aquele que dá um rosto  aos valores preconizados.  Um líder deve transmitir coerência com seu discurso.

Quando a liderança descamba para a hipocrisia e o sarcasmo, a organização percebe a falta de sintonia entre aquilo que se diz e aquilo que se faz. A rádio corredor é imediata. O que não se diz oficialmente, se comenta nas rodas de café, no almoço, no happy hour. Se o líder está em débito com a legalidade, os empregados sabem e comentam.

O Brasil vive mais uma CPI envolvendo uma grande empresa (operacionalmente falando, é claro) e vários políticos. Em tempos de internet, quem perde a linha, mesmo que seja lá fora, logo logo aparece nas redes sociais: a imagem nesse caso vale por mil palavras. A explicação, se existe, fica esvaziada.

Amigos, amigos, negócios à parte diz o velho ditado. Na gestão do patrimônio público, então, completa-se: não basta ser honesto. É preciso também perecer honesto. Regras básicas para quem deveria manter ao menos as aparências. É grave a crise.