sábado, 5 de maio de 2012

A marca chamada "Você".

Em 1997, Tom Peters publicou um artigo na revista Fast Company falando sobre uma tendência: a marca chamada "Você". Um novo modelo de marketing individual, onde cada pessoa é como um produto que precisa ter atributos e qualidades únicas e diferenciadas dos demais. Como seria a sua marca no mercado?

Aqui no Brasil, a revista Você S.A. surgiu nesse movimento, trazendo conteúdos e informações sobre essa tendência que navegava nas ondas do neoliberalismo da época. Tendência que se espalhou entre executivos e colocou a carreira profissional como sinônimo de sucesso de vendas de um produto inédito: a capacidade de cada profissional se manter "vendável" nas prateleiras das empresas.

Os anos se passaram e percebo que a tendência, na verdade, se sedimentou. Fincou raízes nos comportamentos e atitudes individuais num mundo onde o "Show do EU" está em cartaz permanente - que o digam as redes digitais sociais. Onde a consciência (ou responsabilidade?) pelo cuidado com o bem público se esvaziou. Quem cuida do bem público, aquilo que é de todos? Quem faz esse discurso, pelo que é público, ainda são os políticos - classe cada vez mais desacreditada.

Nas empresas, quem estimula o trabalho conjunto na busca dos objetivos comuns é a comunicação interna, direcionada pela liderança. Mas, no fundo no fundo, o que vemos é uma intensa competição de egos, vontades e indivíduos buscando agregar valor a sua marca pessoal. O vírus da marca VOCÊ S.A. ( "A Brand called You") se propagou em escala global. E veio para ficar...

Um comentário:

Tati disse...

Eu deixei de ler Você SA há algum tempo, pois ela me deprime. Aquilo não é vida real. Aquilo mostra como cotidiano o que acontece com, sei lá, 0,5% dos profissionais brasileiros. Acredito que a revista seria mais útil se mostrasse como as pessoas podem ser bem sucedidas em qualquer cargo que exerçam, não apenas quando são CEOs ou similares.