sexta-feira, 13 de julho de 2012

Instituto Alana e o caso FIAT.

O Instituto Alana tem no seu Projeto Criança e Consumo um iniciativa na busca de uma orientação valiosa a respeito de práticas  "consumistas" e de possíveis efeitos abusivos da publicidade e do marketing  sobre as crianças. Defender a infância de predadores de plantão é uma causa nobre, inquestionável. Quem seria contra?

Acontece que a bandeira da "causa nobre" e de  lutas do tipo o "Bem" (nós) versus o  "Mal" (os outros) pode criar fanatismos e extremismos que ultrapassam limites e nutrem-se apenas da sua visão de mundo particular, transformando o que seria uma proposta de reflexão, debate e educação, numa política ideológica contra inimigos como "as grandes corporações", "o sistema capitalista", "a livre iniciativa", entre outros. Nessa linha, conhecida como politicamente correta, com um discurso de defesa da infância, temos mais um exemplo de exagero por parte do Instituto Alana e do seu Projeto Criança e Consumo.

Trata-se do caso dos carrinhos de brinquedo da Fiat e da Brinquedos Bandeirantes cuja estratégia de lançamento e de publicidade foi considerada abusiva e lesiva à infância, no entender dos especialistas do instituto. A denúncia se espalhou pela mídia digital e, como não poderia deixar de ser, é assunto também deste blog.



Creio que nessa linha de pensamento, vamos acabar chegando num momento no qual as  fábricas de brinquedos não poderão mais fazer qualquer tipo de propaganda pois, como todas seriam voltadas para crianças, todos serão considerados lesivos, uma vez que estimulam o desejo de comprar este ou aquele brinquedo. Também chegaremos a uma época, possivelmente em algum Natal, onde nada poderá ser publicado, noticiado ou estimulado uma vez que  qualquer mensagem de incentivo ao consumo de brinquedos, roupas ou comida poderá ser enquadrada na categoria "abusiva".

Ou seja, além da Fiat e da boneca Barbie, outra vítima permanente dos especialistas da Alana, o tal consumismo poderá se tornar, em breve, sinônimo de consumo e ser rotulado como injusto, negativo, perigoso ou prejudicial à saúde. Aliás, vamos lembrar dos fumantes (outro grupo de perseguidos pelos que proclamam saber o que é melhor, bom e verdadeiro para a saúde das pessoas) para percebermos melhor o risco que estamos correndo quando os "especialistas" de plantão, arautos da verdade e da justiça social, ganham poder de polícia para denunciar este ou aquele "inimigo".

Importante: a atual Presidente do Instituto Alana é a Sra. Ana Lucia Villela, acionista do Banco Itaú - ícone do capitalismo brasileiro e cuja prática "lesiva e abusiva"  de juros (no entender de qualquer endividado) atinge pais e filhos igualmente. O Alana tem feito denúncias contra a propaganda do banco e a sua publicidade, sempre que crianças são utilizadas nas estratégias de comunicação do Itaú - o que me parece bastante coerente. Contudo, o que me assusta são os xiitas de plantão e suas palavras de ordem unida.

E você leitor (a) qual sua opinião sobre esse tema? Comente este texto para dialogarmos a respeito!









7 comentários:

Anônimo disse...

Gaulia, condordo com o Alana, carrinho com marca da FIAT é propaganda para crianças.

Tatiana Maia Lins disse...

Este post me lembrou aquele outro lá do Imagem e Comunicação que vc tb comentou, Gaulia. http://www.imagemecomunicacao.com/2010/09/o-peso-das-palavras-shaming-nao-esta.html
Acho que o exagero do Alana e de tantas outras ongs acontece sim. É um pouco de "vamos criticar tudo para marcar posição e o que vier é lucro". Mas soa uma estratégia desatualizada. A Consumers International, entidade de congrega as associações de defesa do consumidor ao redor do mundo, já não defende mais a estratégia de "Naming and Shaming" como antes fazia. Eles querem diálogo. Querem chegar junto e educar as empresas para que ofereçam melhores produtos e serviços, para que elas ajam de maneira mais ética e sustentável. E eles reconhecem a necessidade de lucro por parte das empresas e de consumo por parte da população. Quem quiser saber mais sobre o que pensa a CI, neste link estão as entrevistas que fiz o presidente deles. http://www.imagemecomunicacao.com/2010/11/entrevista-com-joost-martens.html

Anônimo disse...

Propaganda é nociva a todos, mas necessária.
Pior que a propaganda, só mesmo o pensamento "politicamente correto" e ditador que invadiu o mundo com sua caça as bruxas há pelo menos uns 20 anos.
Vivemos num mundo vigiado.

Abs,

Mussa

Simone Lial disse...

Penso que deve existir um equilíbrio para encontrar o caminho do meio. Existem propagandas que pecam pela falta de veracidade de resultado no produto oferecido e isso deveria ser totalmente proibido, sejam produtos para crianças ou não. Isso sim é nocivo, assim como é nocivo o politicamente correto que se beneficia da posição radical para aparecer sem enxergar a realidade que vivemos. Ou seja, o necessário é a verdade. E onde existe gente pode existir cegueira falsa em prol de interesses de poder. Enquanto não existir consciência de grupo e sabedoria para enxergar a necessidade de respeitarmos uns aos outros, este tipo de relação vai continuar acontecendo. mesmo sabendo que talvez eu não esteja viva pra ver a mudança, continuo acreditando que podemos evoluir pra melhor.

Anônimo disse...

Ih, tô por fora dessa debate, nem tenho o que comentar... Em princípio estou com o instituto e com suas práticas de consumo consciente. Pelo que vejo qui na Alemanha, a coisa vai pelo mesmo caminho de limitar, ou melhor, regulamentar de forma rigorosa a propaganda direcionada às crianças, mas não estou certo... Agora, outra direção que se toma aqui - fortemente levantada pela associações de defesa do consumidor - é a questão do direito do consumidor à informação, que deve estar sempre nos rótulos ou posta de forma visível e acessível. E cada vez mais infos, como origem do prod (especialmente alimentos) e a veracidade do que consta nos rótulos que deve passar por controles (de qualidade).



Agora, dizer que o tal instituto faz dos "capitalistas" e das "grande empresas" inimigos, me parece um pouco exagerado...



Abs,

Ricardo.

Luiz Antônio Gaulia. disse...

Agradeço os oomentários de todos (as) e acredito que a sociedade brasileira passa por um novo momento na sua história com mais diálogo, debates e uma percepção mais aprofundada de seus direitos e também seus deveres. Assim, com ampla liberdade de expressão, tenho certeza, vamos construir uma sociedade melhor para todos. Abs Gaulia

Tecelã disse...

Gaulia, me parece que, pra ser óbvia, deve-se ter bom senso. Não demonizar a publicidade, mas não escamotear sob o nome de "liberdade de expressão" ou o que o valha uma indução sutil (ou nem tanto) ao consumo de certos produtos e certas marcas.
Na verdade, acho que já temos publicidade de automóveis demais, mesmo para os marmanjos.

Na minha pesquisa do Mestrado cheguei a citar numa nota o Alana.
Grande abraço.