sábado, 26 de janeiro de 2013

Senso de oportunidade ou estratégia para polemizar?

Uma loja invadida na madrugada, com um grupo de jovens delinquentes saqueando mercadorias e sendo filmados pelas câmeras do circuito interno de TV. Mais uma ocorrência das páginas de notícias policiais que passaria sem chamar muita atenção, se não fosse o episódio seguinte.

A agência de publicidade da marca da loja criou e aprovou com o cliente o uso das imagens reais da invasão e do saque para fazer uma aposta na propaganda dos produtos. A mensagem? "Não precisa quebrar a vitrine. Apenas entre!"  complementada a seguir: "E corra, porque tem gente fazendo loucuras pela nossa marca!". Oportuna? Sim. Certeira? Talvez.

 


O filme me passou uma sensação brutal: violência é sempre uma imagem forte, selvagem e que nos remete ao barbarismo. Aquele lado humano que fica fora de controle e parece capaz de toda espécie de crueldades.

Contudo, a empresa deu a volta por cima, fazendo do "limão, uma limonada". O senso de oportunidade facilitou passar por cima do trauma de ter sua propriedade invadida. De qualquer maneira, é polêmica na certa. Outros marginais podem também querer aparecer e se tornar famosos na telinha e no YouTube, furtando roupas da mesma marca e ainda tendo seus minutos de fama. Fama distorcida, é bem verdade, mas para uma juventude sem limites, o que pode valer são os méritos efêmeros de atos criminosos, desafiadores e ainda por cima, apresentados ao grande público ao som de um pesado rock and roll.

Outro ponto que pode dar polêmica: se os bandidos forem presos, eles podem mover uma ação pedidindo seus direitos autorais pelo uso de suas imagens - independentemente do crime cometido. Vão para a cadeia, mas talvez possam levar mais do que as roupas da loja.Mas, se não forem presos, não vão aparecer voluntariamente para pedir sua indenização...claro!


Um comentário:

Anônimo disse...

Esta semana foi o saque na TOULON por pseudo manifestantes no Leblom que bem poderiam ter alimentado um movimento de publicidade desta marca tradicional da moda carioca. Objeto de desejo dos que aparentemente protestavam nas ruas, o furto das roupas dessa loja comprova que a marca tem potencial de mercado.