sábado, 29 de junho de 2013

Organizações de carne e osso.

Controlar, burocratizar e ordenar são verbos que funcionam perfeitamente quando percebemos o mundo como uma grande máquina. Mas seres-humanos não são recursos mecânicos. Nossas emoções e conflitos agem numa espécie de mercado paralelo às diretrizes organizacionais, um "Lado B" da decisões tiradas a partir de planilhas e pesquisas frias de marketing. Quando pensamos na comunicação devemos perceber que não bastam jornais, revistas, e-mails, crachás e cartazes para dar conta do universo de diálogo palpitante e humano, vivo e dinâmico que faz das organizações uma gigantesca teia pulsante na qual cada nó, cada ponto de contato respira, sente e vibra. E influencia o todo.

A mentalidade que considerava o mundo apenas como um grande relógio, pronto para ser manipulado e aparafusado e assim considerava apenas a parte racional e cartesiana das relações (e que ajudou a construir toda a civilização industrial é verdade) não pode ser separada da parte emocional, humana e complexa da vida. Pensar a comunicação diante dessa complexidade viva é um desafio, pois deve considerar que racional e emocional convivem juntos e inseparáveis. Não pode ser um ou outro. Tem que ser os dois misturados...Quando só um lado domina a questão, o desequilíbrio afeta o conjunto do sistema.

Ser-humano não tem manual técnico de funcionamento, nem fica obsoleto como as máquinas. A comunicação assim, deve ser entendida como uma grande troca de energias a partir da busca permanente pelo diálogo, pela conversa e o entedimento do outro: sua opinião, sua mentalidade, suas expectativas. Conversar é uma arte sublime que parte da escuta e da empatia, da abertura e da troca de ideias.

sábado, 22 de junho de 2013

A rua é a rede.

Me parece que o Brasil tem um exemplo para dar ao mundo.Sempre fantasiei que nosso país tinha o formato de um coração e que, como dizia o maestro Tom Jobim, era o único país com nome de árvore. A nossa gente e a nossa história mostraram para outros povos questões e acontecimentos únicos. Tivemos movimentos como as Diretas Já, o impeachment de Collor e as eleições de um sociólogo e de um operário, bem como de uma mulher, ex-guerrilheira. Agora, temos a transformação (ou seria resgate?) da maior e mais emocionante rede social do planeta: as ruas - fervilhando de vida com cidadãos engajados, indignados e atuantes.O diálogo virtual ganhou corpo e voz real. A tecnologia, sim, facilita essa conexão de uma forma inédita até hoje na história da humanidade e aqui, no Brasil, ela ganhou uma dimensão nunca vista em volume e repercussão.Por vezes tudo isso gera um receio, um medo do que ainda está por vir, mas as novas gerações já nascidas nesse cenário eletrônico do tempo imediato navega com naturalidade nesse sistema, nessa rede de interligados discursos, opiniões e comentários E corações!

As organizações, os governos, as empresas e demais instituições que não pereceberam ainda a força desse novo mundo - que tomou as ruas do Brasil com ruas lotadas de manifestantes, de norte a sul, dando vida concreta ao "compartilhar" dos smartphones e tablets podem desaparecer no rastro dessa dinâmica. Podemos perceber esse risco na demora em dar respostas ou divulgar algum tipo de comunicado oficial. Se dentro das empresas os funcionários ainda não possuem total liberdade de conversar, interagir e  opinar, nos governos parece que a situação é pior ainda pois a burocracia e a hierarquia política baseada em comando, controle e poder de polícia engessa a necessária habilidade de comunicação e influência nessas redes.

Simplesmente não há opinião, até que as ruas, novamente, com seus gritos virtuais e reais balançam as estruturas e os líderes com semblantes embasbacados. Sim, a violência é um fato, mas esses violentos também fazem parte de um passado - são minoria avessa ao diálogo. E o diálogo é uma premissa de qualquer rede social. Assim como num chat, esses corpos estranhos à comunidade que conversa e interage serão expulsos da convivência. Ou aprendem a dialogar ou estarão condenados ao isolamento. Ao contrário do diálogo, a violência é suicida. Ao contrário da violência, o diálogo é a própria característica molecular da vida, do encontro, da troca genética e da multiplicação das células. O diálogo em rede é a porta aberta para nosso futuro comum. A violência é o lixo que nos sufoca.

As ruas do Brasil mostraram ao mundo que um novo tempo chegou - sem pedir licença. Muitos não perceberam os sinais, não souberam ler os cenários e tantos outros não queriam perceber. Os teimosos na sua cegueira e na surdez organziacional, agora assustados, terão que se manifestar e terão que se adaptar: Num tempo no qual todos são comunicadores, os que negociam pela palavra e pela coerência dos seus atos e propostas terão destaque. Naturalmente, surgirão novas referências políticas e a história seguirá seu curso. As ruas, as redes sociais do mundo real, são a grande convocação e comprovação de que o ser-humano nasceu por um ato de comunicação. Viver é comunicar e comunicar é conhecer o outro em tudo que nele é espelho. Portanto, prazer em conhecer, vem para rua você também! Este nosso Brasil tem sim formato de coração e tem sim um exemplo de cidadania consciente e de esperança para ser compartilhado com o mundo.

domingo, 9 de junho de 2013

Quando a fumaça comunicava o progresso.


  Quando leio que o “crescimento chinês” ainda está servindo de motor para a economia do mundo me lembro que fumaça já foi, no Ocidente, sinal de progresso. Durante a Revolução Industrial a queima de carvão movimentou manufaturas e fábricas e utilizou mão de obra de crianças e camponeses em busca das luzes da cidade e do tal progresso. Poluição fazia parte da produção.


 
 Num evento na Bolsa do Rio, recentemente, reparei nos lindíssimos vitrais do salão de eventos. Datados de muitas décadas depois da Revolução Industrial na Inglaterra eles estão lá atestando nosso salto industrial tardio e em modelos ambientalmente caóticos. Nas paredes laterais, as cores da poluição fumegante sendo expelida por chaminés, máquinas e navios a vapor ainda confirma, em detalhada beleza artística, que poluir era sinal de pujança econômica aqui nas terras do gigante adormecido.
 Desequilíbrio perdoado em nome de uma economia que desconsiderava por completo ser parte integral e inseparável do ambiente. Isto sem falar dos impactos sociais da poluição na saúde dos empregados das indústrias...igualzinho na China de hoje cujas nuvens de fuligem industrial chegam a atingir o Japão. Graças a Deus, as coisas estão mudando. Não de forma rápida como as mudanças climáticas parecem nos exigir, mas mudando com novos modelos de produção, novas pesquisas nas áreas de energia limpa e novas maneiras de pensar o progresso de forma sistêmica.