segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Freud organizacional ou "a cura pela fala".

“Quais as emoções que a sua empresa sente?” é uma pergunta totalmente fora dos padrões corporativos, não é mesmo? Quantas vezes você já ouviu alguém preocupado com os sentimentos e os afetos nas relações humanas da organização onde você trabalha? Poucas, provavelmente. Talvez, nenhuma única vez. 

A boa nova é que essa realidade pode estar mudando. Se as áreas de Gente, com seus psicólogos e suas assistentes sociais, não deram conta de cuidar dos sentimentos das pessoas, algumas empresas já estão oferecendo serviços de apoio, por telefone, para empregados com depressão, tristeza crônica, desmotivação. Uma espécie de 0800 individual para questões que entram nesse território da alma humana. Trata-se de um canal onde o empregado pode falar sobre seus problemas e sentimentos sem se identificar, apenas para “desabafar”. Uma abertura para ser ouvido – como numa terapia, digamos assim.

Se em tudo que fazemos e pensamos existe a influência de nossos sentimentos, vivemos o momento ideal para cuidarmos deles dentro das organizações. Empresas como organismos vivos, feitas pela energia do trabalho e da vontade das pessoas que nela convivem, devem perceber que sentimentos influenciam o meio, mudam o clima organizacional, interferem nas metas e impactam na saúde e na segurança.

Nossos sentimentos nos tornam humanos e nossas emoções simplesmente surgem, muitas vezes sem controle. Geralmente durante feedbacks ou mesmo nas reuniões. Muitas vezes os sentimentos se exaltam nas rodas de café, escapulindo com mais nitidez na famosa “rádio corredor” e cada vez mais, pelas redes sociais virtuais.

É claro que uma empresa tem objetivos e metas traçadas com lógica, cálculo e frieza diante de um mercado competitivo, balizado pelos resultados quantitativos. Por isso mesmo, é necessário saber cuidar dos sentimentos humanos. Equilibrar razão e emoção. Saber abrir canais de escuta, de fala, de diálogo dentro das organizações. Nossas metas são racionais, mas somos seres emocionais.

Portanto, vamos falar sobre nossas emoções? Talvez já tenha passado da hora de trazermos Freud para dentro das organizações e colocar os afetos na agenda do cotidiano.

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