domingo, 28 de dezembro de 2014

O CEO falou: o "terrorismo da fofoca" é uma doença organizacional.

Um dos objetivos básicos da Comunicação Interna (CI) foi sempre o de desobstruir as veias das empresas e das organizações, liberando as artérias para fazerem chegar informação relevante até as partes mais distantes do corpo organizacional. A CI deve (ou deveria) funcionar como um permanente abrir e fechar de portas e janelas deixando o ar circular por completo ou mesmo funcionando como água corrente e capaz de limpar os canais do diálogo interno. 

A palavra do CEO é que molda a cultura organizacional e é o conteúdo estruturante da CI. Suas decisões, sua visão do futuro e seu estilo administrativo devem contagiar todos os funcionários e quanto mais próximo estiver o líder, melhor para a empresa entender para onde vai e como deve chegar em seu destino.

Mas quem disse que um líder pode mudar uma organização ou uma cultura? Nem sempre um presidente consegue realizar sua missão ou inspirar de fato seus funcionários. Muitas vezes ele fala sozinho. Muitas vezes a rádio corredor ou a fofoca interna tem uma voz mais alta e muito mais frequente do que a palavra do CEO conseguiria dar conta. Não importam os canais usados ou a quantidade de encontros face a face, uma cultura arraigada em determinados valores e comportamentos pode na verdade mudar o próprio CEO.

Na Igreja Católica Apostólica Romana, por exemplo, uma marca de dois mil anos de sucesso e fidelização de clientes, o Papa Francisco, recém nomeado "CEO - Chief Executive Officer" dessa instituição tem enfrentado uma forte barreira para fazer fluir sua visão renovadora sobre o futuro. Numa reportagem deste mês, em seu discurso pré-Natalino, o CEO Francisco apontou a burocracia e o "terrorismo da fofoca" como uma das doenças da Igreja.

Todos nós sabemos que qualquer religião é estruturada sobre forte hierarquia e assim por uma legião de burocratas que fazem ou deveriam fazer cumprir as orientações da liderança. O principal líder do Vaticano tem demonstrado abertamente um problema que acontece em diversas corporações. O mal da fofoca e da rádio corredor e seu poder de obstruir a possibilidade da inovação e da adaptação a novos tempos não é só assunto do Papa Francisco. Essa barreira invisível existe em muita empresa cheia de clientes e com caixa no azul mas que se percebe atuando num mercado em decadência ou cuja concorrência vai dando um baile. Qualquer CEO pode sofrer com essa verdadeira sombra que age no paralelo oficial apesar da políticas e dos modelos estabelecidos. 

A fofoca, como disse o CEO Francisco, é um verdadeiro terrorismo destruidor da confiança e das relações humanas. 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Mais um ano politicamente incorreto.

Vamos terminando mais um ano. Uma ano no qual grandes marcas como a da Petrobras mergulharam num atoleiro de denúncias, falcatruas e quebra de confiança. Um ano que tivemos novas ingerências do Estado no modo como se faz propaganda no Brasil, desde questões envolvendo a veracidade do storytelling até possíveis abusos da propaganda de produtos voltados ao público infantil. O governo fortaleceu seus braços para regulamentar e assim cercear a publicidade de empresas privadas, mas esqueceu de frear a gastança publicitária das estatais, um prejuízo muito maior ao Tesouro Nacional do que qualquer marca  de sorvete, mate, brinquedo ou mesmo de alguma nova cerveja possam estar causando. Esse tema merece mais discussão e análise pois eu vejo que a ideologia está prejudicando o livre arbítrio das pessoas e impondo uma nova censura: aquela que diz ser boa para a família brasileira pois é feita por alguns órgãos governamentais "isentos"mas que na verdade são ocupados em grande parte por partidários deste ou daquele segmento político e assim, enxergam estratégias maquiavélicas em toda e qualquer ação de marketing. Ora, o mundo não ficou pior nem melhor por causa da propaganda deste ou daquele produto. Ele ficou sim, bem pior com a propaganda oficial utilizando dinheiro dos contribuintes para enaltecer os que estão no poder. Não vou falar aqui dos jornais, um outro universo da comunicação que se vê a cada dia mais ameaçado pelos longos tentáculos do Estado com propostas de "controle social", um slogan perigoso da propaganda oficial. Vou ficar aqui com um anúncio das meias Mojud, de 1950 (creio eu ser essa a data aproximada) e que hoje, nunca seria publicado. A não ser como um desafio ao politicamente correto que nos enche a paciência e policia até pensamento. 

O texto é cheio de malícia com certeza e a melhor censura para uma peça de mau gosto foi o fim da marca Mojud e pelo que sei, do próprio negócio que não soube se renovar ao longo dos tempos. Nesse caso, o governo não teve nada a ver com as novas escolhas das clientes e o próprio mercado se regulou. 


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Votorantim Cimentos e um storytelling com personagem verdade.

Para complementar o meu outro post anterior, trago aqui notícia retirada do site da Votorantim Cimentos sobre a nova campanha homenageando os pedreiros e que apresenta uma história real. Estive na sede da empresa recentemente e eles trabalham agora o reconhecimento e o agradecimento dessa turma de profissionais no uso das marcas de cimento da Votorantim. 




Com o slogan "Respeito se Constrói" a Votorantim Cimentos quer engrandecer a dignidade e a confiança entre a empresa, seus produtos e estes profissionais da construção civil. A nova campanha traz o "Seu Agostinho", um mestre pedreiro, personagem de verdade, numa bela filmagem humanizando um produto pesado e frio como um saco de cimento. 

Mas através de um novo significado para quem trabalha com a mão na massa (e no cimento), a campanha dá vida para esse produto que faz o Brasil crescer, literalmente. Com o Seu Agostinho contando que já construiu muita casa, ponte e até a escola na qual estuda sua própria filha, o filme ficou muito bacana e a campanha acerta na pegada sem ser apelativa ou exagerada.

Acesse também: http://www.mapadaobra.com.br/respeito e veja o filme.



sábado, 13 de dezembro de 2014

Storytelling.

O contar histórias sempre existiu desde que o mundo é mundo. Storytelling não é nenhuma novidade, portanto. Jesus Cristo foi um grande contador de histórias. Suas parábolas vendem milhares de Bíblias com o Novo Testamento, todos os anos, até hoje e nós não temos muitas certeza de quem realmente escreveu as histórias ali registradas. Eu as adoro, mas que me perdoem os cristãos do mundo ou mesmo as demais religiões com seus livros sagrados, sempre repletos de histórias contadas, mas serão verdade? Claro que não, dirão alguns. Claro que sim, dirão outros. "Assim é se lhe parece" responderia Pirandello.

A ilusão nos fascina e sempre saberemos que ela é apenas uma história para boi dormir. 

Os escritores que sonharam com romances impossíveis e de seus delírios ou desejos surgiram histórias com personagens fantasiosos como "O Grande Gatsby", de Scott Fitzgerald (1925); "O Dia dos Gafanhotos", de Nathanael West (1939), que descreveu uma Hollywood dos anos 1930 repleta de protagonistas inexistentes decadentes e derrotados e ainda "A Cor Púrpura" de Alice Walker (1982) que também nos trouxe um storytelling que bem poderia ter sido verdade, mas sem a licença poética e criativa de sua autora nunca teria sido colocada no papel. E sem nova licença criativa, nunca seria lançada nas telas do cinema, refazendo o livro com um roteiro adaptado de forma brilhante e igualmente fantasioso. Tudo é metáfora, acredite quem quiser.



Eu poderia citar aqui, milhares de outros contadores de histórias e suas histórias mirabolantes, lindas e sedutoras montadas a partir da mais pura ilusão. Uma ilusão que nós amamos, pois muitas vezes queremos acreditar no conto farsesco, na mentirinha gostosa ou mesmo numa bela história de amor e encanto. Somos assim, desde criancinhas quando escutávamos nossos pais contar historias.

Contar uma história é contar um lado de uma história 

Ora, se todos queremos acreditar num sonho, numa lenda, num sermão, num discurso por que não queremos acreditar num produto, num rótulo, numa marca? Será que somos iludidos ou nos deixamos iludir? será que não conseguimos perceber a diferença de uma farsa ensaiada num palco da realidade? Será que confundimos o sonho de uma sala escura de cinema com nossos próprios sonhos e saímos encantados pelas histórias contadas na telona do cinema? Eu só sei que ao contarmos uma história contamos uma parte de uma história e a interpretação de nosso ouvinte e interlocutor possivelmente vai remodelar a história ouvida, lida, vista, percebida, imaginada e transformada. "Assim é se lhe parece". Novamente o genial Pirandello.

Nessa linha de raciocínio, o storytelling também sempre serviu para o consumo de uma marca. Uma marca de roupas da moda, por exemplo, todos podemos bem saber, é apenas uma roupa com uma etiqueta, uma vestimenta, mas a compra e o vestir daquela peça, daquele corte de tecido nos enchem de fantasias. Podemos nos sentir atléticos, ricos, elegantes, sedutores. É a roupa que usamos ou nossa imaginação? Com aquela peça de roupa somos outro ou outra pessoa, não é mesmo? Do que dizer então de um perfume? 

Você já viu alguma peça publicitária de perfume que não seja mera fantasia? Pegue qualquer peça publicitária e olhe...é a mais pura fantasia. Uma história inventada. De sonho, ilusão. Metáforas...



Alguém duvida que esse surrealismo possa ser real? Claro que não!

O storytelling publicitário está virando crime?

Exageros ou não, todo esse texto até aqui me serve como provocação para pensarmos o quanto de tolice e repressão está se tornando essa verdadeira caça às bruxas contra a publicidade de um produto que se apropria dessa tal "storytelling". Ultimamente, seja para vender um suco, um carro, uma lingerie, um sorvete tenho visto - minha opinião - muita perseguição. Pelo amor de Deus, o que está acontecendo? Vamos chegar ao ponto de proibir as propagandas? 

O caso do Diletto me parece exatamente esse tipo de exagero, de busca pela verdade completa e de um extremismo que enxerga empresários prontos para assaltar o consumidor "tolinho" em cada esquina. Você, prezado (a) leitor (a) se acha um indefeso consumidor na hora de comprar uma caixinha de sorvete? Até o CONAR além de alguns setores da sociedade pensam que sim, que você precisa de tutela pra se defender.



Ou as propagandas deverão ser sempre técnicas com fatos e dados e completa chatice? Toda propaganda é meio mentira, qualquer um sabe disso pois não existe consumidor que seja tolo hoje em dia. Desde criancinha todo mundo tem a noção do que é verdade ou não. Acontece assim na Política, acontece assim com o consumo de produtos. A propaganda enquanto um tipo de conto, de metáfora é muitas vezes exagerada mesmo.  A interpretação individual será sempre individual, dependente do ponto de vista. Da vista de um ponto.


Outro exemplo que quero destacar aqui, além do sorvete Diletto, é o do o embate do CONAR contra o Sucos do Bem, de quem sou fã e consumidor fiel. A marca contou sua história e foi questionada. Gente, o suquinho é gostoso? Vamos comprar e beber. Gostou? compra de novo. Não aprovou? Muda de marca! Faz mal, tira da prateleira. Funciona assim como  zapping nos canais de TV. Independente da história contada ou da marca com o ursinho estampado. Ou o urso tem que ser real e trabalhar na confecção do doce gelado? Piada, né?

A Coca-Cola, por exemplo, é outra marca que possui dezenas de histórias e propagandas inventadas e fantasiosas. Alguém acredita que o urso polar bebe Coca-Cola? Ou que o Papai Noel, símbolo da marca, é pura fantasia? Então devemos proibir isso também? Façam-me o favor. "Talibãs" de plantão, cuidado, a sociedade não precisa de tutores especializados em proibir pelo bem da verdade. 



Pois como já escreveu Hegel, a verdade última é inatingível, não existe um absoluto apenas uma enorme subjetividade. Portanto, deixem as marcas contarem suas histórias e nós mesmos escolhermos em que queremos acreditar ou não. Sem opções, viraremos todos servos de uma Grande Irmão...mentiroso!

Referências das imagens deste post:  


Leia mais sobre as ações do CONAR, clicando aqui.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Kit Kat e os cabeças de Memes.

Aproveitar os movimentos nas redes sociais e as tendências é para poucas empresas antenadas e rápidas no gatilho. Não importa se a marca é mais ou menos sisuda, mais ou menos popular. Isso é indiferente pois as redes trazem oportunidades diversas seja para empresas de consumo ou marcas B2B. 


O importante é se conectar a esse universo complexo e estonteante que a cada dia se renova e se reinventa. A Kit Kat Brasil fez isso. Confira o vídeo!


domingo, 7 de dezembro de 2014

Horas trabalhadas ou energia dedicada? Cuidado não fique louco.

O consultor Flip Brown, sócio fundador da empresa Burlington nos EUA, é autor do livro How to Enjoy the Fruits of Your Labor Without Driving Yourself Nuts (pela minha tradução, algo do tipo: "Como aproveitar os frutos de seu trabalho sem ficar louco") mostra que todas as empresas perseguem uma maior produtividade dos seus empregados mas acabam sempre enfrentando o dilema de algumas horas são mais produtivas do que outras. E é natural que seja assim, uma vez que pouco sabemos como gerenciar nossa própria energia ao longo das nossas jornadas de trabalho (muitas vezes não nos conhecemos o suficiente para percebermos esses momentos e o nosso próprio estilo funcional). 


Flip Brown escreve que a diferença fundamental é o entusiasmo e a energia dedicada e não a quantidade de horas e que entender melhor em quais os processos devemos colocar maior ou menor energia é fundamental para não chegarmos ao final do expediente completamente exaustos. Brown dá algumas dicas como ter maior foco em determinados assuntos realmente urgentes e importantes e claro, ter maior autoconhecimento para saber em que períodos nós mesmos rendemos mais em determinadas atividades.Saber se somos mais extrovertidos e precisamos conversar mais com outras pessoas no escritório ou se pelo contrário, somos introvertidos e precisamos de alguns momentos de maior isolamento. Ou se precisamos dar uma voltinha já que nossa energia é alimentada por uma atividade física, menos sedentária. Enfim, como eu mesmo sempre escrevo, a psicologia humana faz toda a diferença nos modelos matemáticos e cartesianos que o trabalho ainda utiliza. Conhecer a si mesmo é uma passo fundamental para atingirmos nossos potenciais. 

O autor não traz grandes novidades, mas alerta que precisamos ter alguns momentos ao longo do dia para recarregar nossas baterias emocionais e recuperar nossas energias. Leia mais sobre o livro acessando o site da AMAZON e se quiser, uma pequena matéria na Fast Company.

sábado, 29 de novembro de 2014

Boticário, a marca da comunicação empresarial de 2014!

O Grupo Boticário, holding que controla negócios cujas marcas todos nós conhecemos bem como Eudora, The Beauty Box e quem disse, berenice (escrito assim mesmo) foi consagrado como a Empresa do Ano em Comunicação Empresarialna cerimônia da ABERJE que aconteceu em São Paulo no último dia 27 e é o evento mais celebrado e importante do setor de Comunicação Corporativa do Brasil.

Nessa mesma tarde de festa, meu amigo Sandro Rego levou o Prêmio de Personalidade do Ano em Comunicação Empresarial da ABERJE, um reconhecimento pelo trabalho de sete anos de dedicação nessa maravilhosa empresa. Só posso dar os meus parabéns pelo grande trabalho em 2014 e pelo merecido reconhecimento.



Na foto acima, o Presidente do Grupo O Boticário, Artur Grynbaum ladeado à esquerda pelo Sandro e à direita pela coordenadora de Gestão de Patrocínios Eleonora Greca.  

Veja mais acessando aqui o link de O Boticário.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Saber cuidar.

O mais bacana de uma aula sobre sustentabilidade é poder compartilhar com alunos e alunas interessados e participativos, algumas reflexões sobre o nosso futuro comum. Questões que envolvem o meio ambiente, a economia, as relações sociais e também direitos e deveres de um cidadão, a Ética e o saber cuidar de nossos vínculos. 

Foi um prazer estar com a turma de Pós Graduação em Gestão Estratégica de Pessoas, na Estácio, em Nova Iguaçu (RJ) na noite de terça passada.

O livro "Cuidado e Sustentabilidade" que a Professora Márcia Cristina,  mostra numa das fotos acima está disponível no site da EDITORA ATLAS.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Morreu o fundador das Casas Bahia.

Morreu Samuel Klein, um empreendedor, visionário, gênio do comércio, criador de uma grande marca e verdadeiro império do varejo. O case das Casas Bahia foi estudado da Michigan Ross School of Business entre outras grandes instituições de ensino. Case de marketing, case de sucesso. Aula de marketing, empenho e livre iniciativa empreendedora. A obra vai ficar muito além de seu criador que queria trabalhar até os 120 anos.


Loja da M&M’s na China: a grande muralha de chocolate?



A M&M's abriu uma mega temática (ou "loja conceito") loja na China. Além de vender as famosas balinhas coloridas e achocolatadas M&M's também oferece ao público chinês toda sorte de lembranças e objetos com a marca. A proposta é ousada, como foi a mega loja da Barbie (que já fechou), tentando fisgar não só o paladar dos chineses oferecendo esse chocolatinho com carinhas engraçadas até de forma bastante pretensiosa como numa "grande muralha de chocolate"; mas também uma experiência integral de contato, sabor e estímulos através de roupas, lembranças, brinquedos e mascotes. Está tudo por lá em quantidade e variedade absurdas!



A aposta pode parecer tiro certo, uma vez que a China tem um mercado consumidor em expansão e ainda milhões de pessoas que não experimentaram a doçura desse produto - assim como de tantos outros. No mercado de chocolate, por exemplo, há apenas uma geração poucos eram os chinesinhos que conheciam marcas como Ferrero Rocher (a italianíssima Ferrari dos chocolates), a Nestlé ou mesmo a CadburyHoje esse mercado só cresce, não só entre as chamadas big five (Ferrero, Hershey, Nestlé, Cadbury e Mars - essa última a dona da marca M&Ms), como também com desconhecidas chinesas como a LeConte. 



É pagar pra ver que vai manter essa liderança e torcer para que o cacau não acabe diante de tanta demanda e de um consumismo voraz de chocolate, no mundo inteiro. 



Lembrando que a China é quase um mundo à parte com sua população gigantesca (sem esquecer que logo ali ao lado dos milhões de consumidores chineses, na própria Ásia, a Índia também tem um mercado promissor, pronto para devorar toneladas de chocolate). 

E aí, deu vontade de comer um chocolatezinho? 


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Diálogo em tempos loucos.

Em tempos de mídias sociais digitais nos quais a propagação de opiniões, comentários, "curtidas" e uma infinidade de conteúdos criados por uma miríade de internautas, fica cada vez mais complexo administrar tanta conversa on line. Fica muito mais complicado gerenciar a reputação e o valor de uma marca. Fica difícil construir consensos que não sejam baseados na verdade.

Se a credibilidade da marca nunca foi propriedade da empresa, pois sempre dependeu muito mais da percepção dos clientes e consumidores do que da propaganda, hoje, a complexidade dessa questão ganhou mais vozes. Ela se alastra mais e mais através das opiniões que duram efêmeros segundos, mas deixam rastros eternos, demandando muito mais trabalho para as empresas que desejam realmente ouvir seus públicos. Criando vínculos ao invés de simples transações comerciais.  

Nesse ambiente, vale lembrar Ted Birkhahn, CEO da Peppercomm, que escreve em seu blog: "Não é mais o que uma marca quer falar, é o que o público está interessado em saber e ouvir, onde, como e quando ele está interessado ​​em consumi-la." Pois, então, mudaram as regras tradicionais da Comunicação e do Marketing. 

Mas qual é o problema? As marcas não querem conversar com seus clientes, eles não são "o foco"? Os consumidores não são a razão de ser da empresa? Então, qual a dificuldade? São várias. Uma delas, no meu ponto de vista, é que as disciplinas tradicionais dos comunicadores, como jornalismo, relações públicas e publicidade, ainda são ensinadas da mesma velha forma nas faculdades. Estão no passado industrial, nos tempos da mídia de massa, unidirecional. E um comunicador empresarial é muito mais do que um jornalista ou um RP. Ele tem que ser um especialista multidisciplinar, um profissional com visão sistêmica, grande capacidade de articulação e equilíbrio emocional. Ou seja, nada fácil, não é mesmo? Mas o mundo nunca mais será o mesmo com o advento da web...


sábado, 8 de novembro de 2014

Comunicar é desafio.

Comunicação é sempre um desafio e começa pela conversa que começa por escutar o outro atentamente. E o outro, como eu, é um turbilhão de emoção, com valores próprios e visões de mundo além de uma história pessoal que nos marca e acompanha a cada novo diálogo.e hoje, na ponta dos dedos, comunicamos com o planeta no toque dos smartphones e tablets. E esse digital? Emociona? Humaniza? Solidariza ou só compartilha eletronicamente? Ou tudo isso ao mesmo tempo mas de uma nova maneira? 


A foto acima é do site da ABERJE, a casa da Comunicação Empresarial no Brasil.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Marlboro, agora sem nome. Inovação ou mais regulação?


Que a indústria de cigarros está cada vez mais cercada por uma série de regulações não era novidade e é por isso que adiantar-se à futuras regras, ainda mais complicadas e censoras, pode ser uma oportunidade para inovar e sair na frente dos concorrentes. Creio que foi exatamente isso que aconteceu com as embalagens dos cigarros da Marlboro. Com o recente sumiço da logotipia, nos pontos de venda da marca, restaram apenas a seta vermelha e a caixinha branca. O nome Marlboro ainda está impresso numa espécie de verniz que apenas se percebe muito de perto. 

Essa é uma proposta ousada, com certeza e uma mudança radical idêntica a da criação da própria logotipia, em 1955, pelo designer Frank Gianninoto (antes dele os maços eram vendidos em pacotes brancos).

Trabalhar apenas ícones gráficos e cores não é para qualquer marca. Tem que ter muita história para ser reconhecido assim apenas com cores e traços. Mas a Marlboro tem muita história e anos de estrada no segmento de cigarros. Certamente, este é um novo case para estudo se as vendas continuarem nos mesmos níveis - descontando a contra propaganda do Governo que já colocou os fumantes quase como criminosos, tendo que fumar em locais cada vez mais afastados ou difíceis, não é? 


sábado, 1 de novembro de 2014

Kopenhagen e o Panettone Língua de Gato. Marca comestível!

Algumas marcas a gente não só compra, mas usa, consome. Outras marcas a gente come, devora. Marcas que acabam fazendo parte do nosso metabolismo...Nossa! Rsrsrsrsr.
Marcas como a da Kopenhagen, empresa que admiro e da qual sou fã. Com as Festas de final de ano já chegando e o Natal tomando conta das vitrines esses dias deveriam ser um tempo de alegrias, de caridade e também de uma boa movimentação no comércio. Esses dias serão também um teste para o atendimento de qualidade e a satisfação do cliente. Quem quiser ser bem atendido, basta entrar numa das lojas da rede Kopenhagen. Eu nunca tive uma experiência ruim com essa marca. Só agradáveis e deliciosas surpresas, como comprar um Panettone de Língua de Gato. Deliciosa maravilha, não é mesmo? E o melhor: elas já estão nas vitrines. Começou o Natal!




sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Oreo, biscoitinho social?

Quem não provou ainda, não sabe o que está perdendo. O Oreo, da Mondelez (novo nome da Kraft Foods na parte de guloseimas e similares) é uma marca focada no segmento de biscoitos de chocolate recheados com baunilha e é um dos biscoitos mais populares do planeta! Aqui no Brasil sua concorrente direta é a Negresco, da Nestlé. Como em todo mercado livre, a concorrência é acirrada em cada local de venda e em cada ponto de contato. Desde a sua chegada (na verdade um retorno ao mercado brasileiro) a Oreo mexeu com as fronteiras ocupadas pelo Negresco, seja na parte de propaganda, nas gôndolas ou mesmo nas redes sociais. E essa briga é sempre boa para nós consumidores, clientes e comunicadores de plantão! 



Apesar de ser uma marca bem idosa com seus 100 anos de vida e...sabor, a  Oreo é conhecida internacionalmente pelas suas ações na web e forte interlocução nas redes sociais. Em 2013, por exemplo, uma simples "tuitada" realizada num blecaute durante um jogo de futebol americano, no SuperBowl, ganhou enorme repercussão quando colocou um biscoitinho Oreo iluminado por um holofote e a mensagem: "Mesmo no escuro você pode molhar seu biscoito" fazendo referência ao hábito dos norte-americanos de molharem seus biscoitos no leite antes de comê-los. Ou seja, esse biscoitinho é super social!



A agilidade da iniciativa, muito oportuna e alinhada à logica das redes, rendeu grande exposição positiva para a marca nos EUA. Ela comprova que idade não é barreira para as marcas que querem estar em sintonia com novas tecnologias e um mundo hiper conectado. E para quem ainda não conhece, a Mondelez é dona de marcas tradicionais aqui no Brasil e em diversos outros países. Veja abaixo algumas outras marcas dessa empresa global e conheça mais clicando aqui.




terça-feira, 28 de outubro de 2014

Automóvel. Eterno desejo de consumo?

O Brasil que empreende, gera riqueza e renda, emprega, paga imposto e faz a vida melhorar através do trabalho e do investimento sério, buscando resultados e criando novas oportunidades é o Brasil das marcas de valor, de prestígio. As marcas admiráveis e que desejamos consumir, comprar, possuir para nos sentirmos melhores do que somos, para ganharmos status, para facilitar nosso dia a dia, para completar uma parte de nosso ser a partir do inevitável ter. 


Essa sensação é parte integrante de quem vive numa sociedade de consumo e que está cada vez mais na busca de caminhos mais sustentáveis, mais "verdes". Na indústria de automóveis essa preocupação também é parte dos planos das montadoras e de suas grandes marcas, podem apostar. O tema deste ano, portanto, no Salão do Automóvel, passa por uma pergunta provocativa: como será o mercado de automóveis e o modelo de negócios do aparentemente ainda distante ano de 2034? Daqui a vinte anos? 

O debate encara a inédita pressão na forma de fazer negócios e produzir carros que toda a cadeia automotiva já está percebendo. Assim, além da tradicional mostra de novos lançamentos, a proposta do evento é tentar responder a questão das mudanças que se apresentam no horizonte: "mudanças no comportamento dos consumidores, restrições ambientais, severa necessidade de investimento em tecnologias e legislações de desincentivo a propriedade privada do automóvel, aliado a um cenário de novos modelos de mobilidade em um mundo predominantemente urbano".

Salão do Automóvel 2014 que acontece na cidade de São Paulo, no Centro de Convenções do Anhembi, traz para o mercado e para o público as novidades de uma das indústrias que mais mexe com a nossa mobilidade, os nossos sonhos de consumo, nossos corações, mentes e também o nosso bolso e toda a economia nacional. O evento termina no dia 9 de novembro.

Confira aqui no site do Jornal Estado de São Paulo, mais informações.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Green Coke.


A marca da Coca-Cola tem sido ícone da cidade de Opelika, no Alabama (EUA) desde a sua primeira fábrica inaugurada em 1902. Sim, pra quem desconhece, a Coca Cola é uma marca com mais de cem anos! Recentemente, o dono de uma loja chamada Smith T Hardware and Building Supply descobriu uma parede pintada com um painel original da Coca-Cola com um anúncio de mais de 100 anos e cujo slogan trazia o famoso “Relieves fatigue” da época. Na minha tradução: “Alívio para a fadiga”. O preço também é daquele tempo, alguns incríveis cinco centavos de dólar!



Como marca, a Coca Cola se reinventa e se transforma para garantir mais perenidade ao negócio de bebidas refrescantes na qual ela é líder global. Em breve conheceremos a Green Coke, chá verde adoçado com estevia e fabricado pela Coca Cola, buscando uma linha mais "natural" (?) para sua marca?



Dentro de cem anos, quem sabe, serão descobertos painéis da Green Coke que serão vistos com surpresa, assim como olhamos admirados para o antigo painel descoberto, por acaso, nessa lojinha do Alabama?


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A reputação em tempos loucos.

Em tempos de mídias sociais digitais nos quais a propagação de opiniões, comentários, "curtidas" e uma infinidade de conteúdos criados por uma miríade de internautas, fica cada vez mais complexo administrar tanta conversa on line. Fica complicado administrar a reputação.

Se a credibilidade de uma marca nunca foi propriedade da empresa, pois dependia muito mais da percepção dos clientes e consumidores do que da propaganda, hoje, a complexidade dessa questão ganhou mais vozes. Ela se alastra mais e mais através das opiniões que duram efêmeros segundos mas deixam rastros eternos, demandando muito mais trabalho para as empresas que desejam realmente ouvir seus públicos. Criando vínculos ao invés de simples transações comerciais.  


Nesse ambiente, vale lembrar Ted Birkhahn da Peppercom que escreve em seu blog: "Não é mais o que uma marca quer falar, é o que o público está interessado em saber e ouvir, onde e como (e quando) ele está interessado ​​em consumi-la.". Pois então, mudaram as regras tradicionais da Comunicação e do Marketing! 

Mas qual é o problema? As marcas não querem conversar com seus clientes, eles não são "o foco"? Os consumidores não são "a razão de ser" da empresa? Então, qual a dificuldade? São várias.

Uma delas, no meu ponto de vista, é que as disciplinas tradicionais dos comunicadores como jornalismo, relações públicas, publicidade ainda são ensinadas da mesma velha forma nas faculdades. Estão lá no passado industrial, naqueles tempos da mídia de massa, unidirecional. 

A garotada ainda está tendo aulas e seguindo modelos montados para tempos nos quais a indústria mandava uma mensagem e conseguia controlar seus impactos. Geralmente, com muita propaganda e pouquíssimo diálogo com seus clientes, consumidores e demais stakeholders - aliás, um conceito que nem existia.

Ora, bolas, esse tempo acabou e há uma verdadeira revolução acontecendo! Como bem lembra Henry Jenkins, diretor do Programa de Mídias Comparadas do MIT: "Estamos no meio de um período profundo e prolongado de transição de mídias, que está inspirando mudanças em todos os níveis - econômico, social, cultural, político, legal.". 

Não há nada de novo nas salas de aulas que ainda têm como gurus nomes sagrados como Kotler no Marketing. As redes e a mídia propagável, a audiência e a interatividade acelerada já mudaram as regras e os comportamentos de todos nós, mas ainda trabalhamos estratégias virais virtuais da maneira como trabalhávamos a comunicação de massa. Muita gente ainda ganha dinheiro com isso e muita empresa bacana segue essa linha pois simplesmente não tem ideia de como dialogar no oceano social da rede. Fica fácil portanto manter o stakeholder preso numa caixinha chamada público-alvo. 

A culpa parece ficar dividida entre o que as faculdades ensinam e como ensinam e a falsa sensação de que as diretorias corporativas conseguem ter algum controle sobre a sua reputação e sobre a opinião de quem dialoga nesse cenário complexo. Essa comunicação expandida no qual o engajamento dos stakeholders ganha uma autonomia cada vez maior, exige uma real sintonia com as vozes da web e das redes. 


As empresas precisam aprender a conversar e a assumir seus erros, assim como defender suas qualidades, virtudes e ambições. E essa defesa é feita por todos os que trabalham na organização. Todos são ativistas digitais - mesmo que nem percebam isso. Estamos todos na rede e essa roda gigante quer antes de tudo, transparência. Nesse contexto, diálogo é fundamental. A reputação nesses tempos aparentemente loucos e sem referências duráveis é uma questão de coerência entre a palavra e a ação. Como na verdade, sempre foi.