segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Essa tal "Sustentabilidade".

Recebi da ECA USP um pedido de participação numa pesquisa sobre Comunicação e Sustentabilidade. Não resisti em publicar aqui algumas definições, que aparecem numa das perguntas, entre diversas definições existentes, sobre o que é essa tal "sustentabilidade".

Para mim, tudo isso pode se traduzir de uma forma simples. Sustentabilidade é simplesmente saber cuidar. O que não torna a sua prática, uma tarefa fácil. Longe disso. Mas simplifica e nos coloca de forma individual um questionamento permanente: você quer cuidar? Cuidar de suas relações, da saúde individual, do ambiente no qual você está inserido, de sua comunidade local e de nossa comunidade planetária? Perguntas que remetem não a uma ação ideal, uma utopia mas a uma prática e uma escolha diária de ação, de comportamento, de responsabilidade. Pensem nisso.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Corações e cérebros coabitam o interior das empresas.

Os afetos e o sentir nunca fizeram parte da conta fria das metas e dos resultados. Sempre estiveram fora das planilhas de cálculo de valor. Contudo, quando falamos em cultura organizacional devemos ter em mente que a cultura é uma dinâmica viva, que pulsa de acordo com o coração institucional. 
 
Corações e cérebros coabitam o interior das empresas. Poucas, entretanto, os percebem em suas interações e influências mútuas. Acostumadas aos conceitos industriais, mecanicistas e técnicos, as empresas deixam de considerar como relevantes os sentimentos e a energia positiva ou negativa oriunda do emocional humano e seus impactos nos rumos traçados de forma puramente racional do plano de trabalho. Campanhas de “Endomarketing”¹ ou ações motivacionais até surgem como respostas tradicionais quando as pesquisas de clima medem a pressão interna e descobrem que o pulso organizacional bate fraco, deprimido, sem desejos. Ou bate forte e descontrolado devido a incoerências e desequilíbrios na gestão e nos vínculos internos. Importante esclarecer que são as lideranças, exemplos do alto da hierarquia, que moldam a cultura e estimulam hábitos, comportamentos, tom de voz, transparência e discurso franco.
 
No campo do diálogo, a comunicação interna se faz permanente não só pelos canais oficiais de entrega da informação, pela rádio corredor ou mesmo nos comentários dos sites que articulam as redes sociais. O comunicar se reflete na energia dos lugares de encontro, nas salas de reunião, no cuidado com a estética alinhada com a ética e com a técnica! A comunicação se faz pelos afetos aparentemente ausentes. Nas empresas, cada vez mais o emocional mexe com o metabolismo da organização e numa sociedade de conhecimento em rede, essa tendência se amplia forçando o uso da tecnologia a ganhar uma face mais humana, sensível, cordial... do coração!
 
Sabemos que ser emocional demais atrapalha, assim como ser unicamente racional inviabiliza a ternura. Se o lado racional nos permite tecer conclusões, é o emocional que nos dá o ímpeto da ação. Por isso, proponho “humanizar as relações humanas” e assim considerar o outro e seus sentimentos, afetos e desejos. Sonhos, visão de mundo, modelo mental, modo de falar e se expressar. O objetivo a atingir deve ser comum: realizar a missão da empresa, cumprir a promessa da marca. Mas se o coração está vazio, o cérebro não vale nada. É uma lâmpada apagada. Pessoas comuns podem se tornar notáveis quando impulsionadas por sua emoção e percebem e acreditam que podem fazer coisas extraordinárias. Nossa biologia deve ser considerada, nossa maneira de fazer comunicação nas empresas deve ser menos autoritária e mais afetuosa.
 
Na minha leitura, essa é a tônica da comunicação nas empresas e nas organizações em geral: trazer o afeto para a palavra e para a comunicação interna e dar significado, sentido e energia para as informações que circulam e para os resultados traçados no plano de negócios. Colocar mais poesia no cotidiano das narrativas, inserir os afetos nas reuniões de brain storm e transformá-las em heart storm. Unir o by the book ao by the hearth², pois o cérebro sozinho sabe montar peças e articular modelos industriais, mas na sua frieza calculista criou executivos robotizados, operários alienados e um mercado insustentável. Ele criou um mundo com obras gigantescas, máquinas espantosas, apelos de consumo tentadores, mas também uma natureza depredada em seu entorno. Criou a riqueza de um circuito financeiro global e a mercantilização de valores e compromissos nunca pensados em termos de produto, quantidade, preço e devido a isso, cercado de miséria nos quatro cantos do mundo. Nosso futuro comum não vai suportar mais esse modelo.
 
É hora de considerar o ritmo do coração, a alegria e o entusiasmo no jeito de pensar, ser e agir e também no modo como conversamos dentro das empresas e nos percebemos inseridos no ambiente, por inteiros. É hora de trazer os poetas para entenderem mais de política, negócios, gestão e planos de marketing incluindo aqui a dimensão artística e cheia de calor humano em tudo aquilo que se refere ao mundo do trabalho e da geração de valor compartilhado.  

¹ Saul Bekin cunhou o termo Endomarketing em 1995.
² Essa comparação eu escutei de Ricardo Guimarães da THYMUS numa das nossas reuniões de Branding na Estácio Participações em 2013.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

O imprevisível faz parte do nosso mundo complexo.

  Num mundo complexo e cheio de riscos e cada vez mais abrangentes e de impactos globais, uma desculpa como a da "imprevisibilidade dos acontecimentos" há tempos não encontra mais espaço nas mesas de reunião. Prevenir riscos é questão fundamental para quem se pretende se tornar “sustentável”. A sustentabilidade entra em pauta obrigatoriamente diante de riscos e desastres, mas seria muito melhor se entrasse nas discussões pela via do desejo: de construir um mundo melhor. Uma utopia, sim, mas sempre necessária.


  Nesse sentido, a sustentabilidade e sua exigência por "paradigmas de referência cósmica" (ASHLEY, 2002, P.49) servem como uma bússola para o mapeamento sistêmico de riscos através de um aprendizado permanente da empresa em suas relações em rede, com diferentes stakeholders. Relações de qualidade banhadas pelo respeito, pelo amor e pelo desejo de manter vínculos. 



  A sustentabilidade em suas dimensões ambientais, sociais, econômicas, culturais, afetivas e até espirituais é muito mais do que um air bag preventivo de crises nos diferentes segmentos do negócio. Ela é transformação da empresa enquanto máquina, para uma empresa mais humana, coerente e consciente de suas responsabilidades, de seus cuidados para com a vida no planeta.



  Na visão sistêmica de uma companhia tal qual uma “organização do vivo” (ROMESÍN e GARCIA, 1997) onde a dinâmica do trabalho pode ser comparada com os movimentos internos de um corpo e não mais como engrenagens maquinímicas, suas células, fluxos, nervos, emoções e musculatura pulsam de maneira integrada. Assim, podemos perceber o valor do reunir, organizar, interagir e produzir sob as lentes da sustentabilidade: colocar mais coração nos negócios a fim de cumprirem suas promessas e quem sabe, ser parte da solução ao invés de geradoras de impactos negativos na sociedade e no ambiente.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Tudo comunica.

Uma placa abandonada. Uma palavra maldita. Uma portaria suja. Um sorriso largo. Um sorriso amarelo. Um gesto. A falta dele. Um filme. Uma poesia. Uma promessa descumprida. A falta de afeto. Um discurso vazio. Um atendimento deficiente. Um bom atendimento. Uma propaganda idiota. Um chefe idiota. Um empregado ambicioso.  Os bastidores de um evento. O fim da festa. O convite. A pontualidade. O jeito de se vestir. O jeito de agir. O treinamento. A chegada de um novo empregado. A aposentadoria do director. A newsletter. A foto da newsletter. O site atualizado. O site desatualizado. Um "bom dia". Um cliente feliz. Um fornecedor desprezado. Um acionista desconfiado. A quantidade de processos judiciais. O entusiasmo da equipe. A apatia da equipe. As entrelinhas entre um discurso e uma attitude.

Por isso, integrardeveria ser uma meta permanente. Mas integrar requer mais trabalho e um jeito amplo de perceber o "comunicar" humano e organizacional. Perceber que tudo comunica pode ser o pulo do gato para uma marca brilhar em seus relacionamentos e ganhar mais valor compartilhado.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

10 anos do Facebook.

Uma comunidade? Um negócio? Uma rede de negócios e relacionamentos? O Facebook faz 10 anos hoje e é uma marca global que não só ultrapassou seus concorrentes, mas congrega cada vez mais usuários. O Jornal Estado de São Paulo traz uma excelente matéria com um infográfico didático sobre essa empresa que vai virando sinônimo de internet (será?).


domingo, 2 de fevereiro de 2014

Sem Photoshop 2. A idade da beleza.

Falei nos últimos posts sobre a tendência de algumas marcas estarem procurando por pessoas reais, gente comum, de um jeito comum estrelarem suas campanhas de comunicação e marketing. Hoje, temos aqui mais um exemplo, também da indústria da moda,o segmento de mercado que parece liderar essa nova onda do marketing com narrativas reais, não de super modelos, mas de gente como eu...e você! 

A marca norte-americana American Apparel contratou uma mulher de 62 anos (Jacky O'Shaughnessy) para mostrar que sensualidade e beleza não têm idade e nem precisam de Photoshop. As fotos de Jacky foram parar no Facebook e no Instagram (claro, os endereços do marketing digital mundial)  com o slogan: "Sensualidade não tem prazo de validade".


Veja mais, clique aqui no Daily Mail

Veja também outro anúncio da American Apparel trazendo suas calças jeans com uma abordagem mais "naturalista" (claro que este é um exemplo mais tradicional da indústria de consumo de moda, especialmente da American Apparel, aproveitando o corpo nú feminino, como material de propaganda - mas este já é assunto para outros posts). 



Aproveite e veja aqui também uma boa polêmica sobre o uso do Photoshop em retoques de imagem, Clique aqui e acesse JEZEBEL.