domingo, 28 de dezembro de 2014

O CEO falou: o "terrorismo da fofoca" é uma doença organizacional.

Um dos objetivos básicos da Comunicação Interna (CI) foi sempre o de desobstruir as veias das empresas e das organizações, liberando as artérias para fazerem chegar informação relevante até as partes mais distantes do corpo organizacional. A CI deve (ou deveria) funcionar como um permanente abrir e fechar de portas e janelas deixando o ar circular por completo ou mesmo funcionando como água corrente e capaz de limpar os canais do diálogo interno. 

A palavra do CEO é que molda a cultura organizacional e é o conteúdo estruturante da CI. Suas decisões, sua visão do futuro e seu estilo administrativo devem contagiar todos os funcionários e quanto mais próximo estiver o líder, melhor para a empresa entender para onde vai e como deve chegar em seu destino.

Mas quem disse que um líder pode mudar uma organização ou uma cultura? Nem sempre um presidente consegue realizar sua missão ou inspirar de fato seus funcionários. Muitas vezes ele fala sozinho. Muitas vezes a rádio corredor ou a fofoca interna tem uma voz mais alta e muito mais frequente do que a palavra do CEO conseguiria dar conta. Não importam os canais usados ou a quantidade de encontros face a face, uma cultura arraigada em determinados valores e comportamentos pode na verdade mudar o próprio CEO.

Na Igreja Católica Apostólica Romana, por exemplo, uma marca de dois mil anos de sucesso e fidelização de clientes, o Papa Francisco, recém nomeado "CEO - Chief Executive Officer" dessa instituição tem enfrentado uma forte barreira para fazer fluir sua visão renovadora sobre o futuro. Numa reportagem deste mês, em seu discurso pré-Natalino, o CEO Francisco apontou a burocracia e o "terrorismo da fofoca" como uma das doenças da Igreja.

Todos nós sabemos que qualquer religião é estruturada sobre forte hierarquia e assim por uma legião de burocratas que fazem ou deveriam fazer cumprir as orientações da liderança. O principal líder do Vaticano tem demonstrado abertamente um problema que acontece em diversas corporações. O mal da fofoca e da rádio corredor e seu poder de obstruir a possibilidade da inovação e da adaptação a novos tempos não é só assunto do Papa Francisco. Essa barreira invisível existe em muita empresa cheia de clientes e com caixa no azul mas que se percebe atuando num mercado em decadência ou cuja concorrência vai dando um baile. Qualquer CEO pode sofrer com essa verdadeira sombra que age no paralelo oficial apesar da políticas e dos modelos estabelecidos. 

A fofoca, como disse o CEO Francisco, é um verdadeiro terrorismo destruidor da confiança e das relações humanas. 

2 comentários:

Larissa disse...

A mais pura verdade. Muito bom, Parabéns pelo artigo.

Luiz Antônio Gaulia. disse...

Obrigado pelo seu comentario Larissa. Se considerarmos o Papa como um Presidente ou um CEO as palavras do Pontífice servem perfeitamente para varias empresas.

O trabalho da comunicação interna e tentar derrubar essa verdadeira rede paralela de boatos e intrigas, bem como fofocas e disse me disse.