terça-feira, 26 de maio de 2015

Que resultado pode ter sido bom se foi obtido por vias erradas, através de conluios desonestos?

Qual a contribuição para o mundo de uma empresa com lideranças corruptas? Ou de um governo corrupto? Existe uma “marca” corrupta? Essas perguntas continuam me estimulando a escrever sobre sustentabilidade, meu tema de aulas e de pesquisa, partindo de um olhar mais atento para a Ética enquanto uma das dimensões que não faz parte diretamente da contabilidade dos resultados das empresas, sejam elas públicas ou privadas. É claro que um furto, um estelionato impactam no cálculo final do balanço contábil e trazem prejuízos evidentes ao cofre da empresa. A Ética enquanto um “jeito de ser” mesmo sendo um conceito complexo, assim como Sustentabilidade ou Responsabilidade Social Empresarial, merece ser entendida muito mais do que uma utopia filosófica.

No Brasil, cuja história nos brinda com vilanias de toda ordem - a começar pela escravidão, o maior exemplo de crise ética que uma nação poderia ostentar – nós, os stakeholders, deveríamos perceber a Ética muito além dos códigos publicados ou dos resultados apresentados. Que resultado pode ter sido bom se foi obtido por vias erradas, através de conluios desonestos?

Marcas como OAS, UTC, Camargo Correa, Toyo Setal entre outras e a própria super marca Petrobras, sem falar na marca do Governo Federal, tiveram suas reputações aniquiladas e hoje são símbolos de vergonha, ao invés de orgulho. Exagero? O que me entristece não só como cidadão, mas também como professor é ver essas marcas que há pouco tempo eram de minha admiração, usadas como exemplos junto aos meus alunos em sala de aula, estão mergulhadas em um pântano de propinas. Alguns vão dizer que sempre foi assim. Pior, então!

O toque hilário é que muitas dessas grandes empresas, que saíram das notícias de economia diretamente para as páginas policiais, ainda têm em seus murais e painéis coloridos na recepção de suas sedes, a exposição de seus valores institucionais. Reparem só, ainda estão por lá publicados, entre outros, termos inspiradores como: “Honestidade de Propósito; “Ética e Transparência”; “Atuação Responsável”; “Responsabilidade Social Corporativa”; Desenvolvimento Sustentável” etc. Valores aprovados pela mesma alta diretoria que prestou depoimento no MP e na Polícia Federal. 


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