sábado, 20 de junho de 2015

A propaganda de cerveja ainda vai mudar.

 "Dois consumidores de São Paulo (SP) protestaram no CONAR contra anúncio em TV e embalagem em lata da cerveja Conti Bier ilustrada com desenhos de pin-ups, por considerar que fazem apelo excessivo à sensualidade.Em defesa enviada ao Conar, anunciante e agência negaram tal interpretação e informaram que as latas foram produzidas em edição limitada.O Conselho de Ética, por unanimidade, deliberou pelo arquivamento da representação". 
(RESOLUÇÂO DO CONAR 028/15)

Já não é a primeira vez que o CONAR - Conselho de Autorregulamentação Publicitária analisa peças de propaganda de cervejarias consideradas excessivamente provocativas ou desrespeitosas. Cerveja, futebol, mulheres bonitas e insinuações sexuais geralmente andam juntas e realmente incomodam muita gente.


A questão da propaganda abusiva, desrespeitosa, tola, provocativa é um problema de valores morais e nessa direção, de percepção. É claro que existem apelos da propaganda que são frontalmente chulos e de baixíssima qualidade, criações toscas, e também existem apelos mais sutis, mas que podem incomodar uns e outros de acordo com suas lentes de leitura e...percepção! De acordo com suas crenças e de acordo com seus posicionamentos ideológicas e até religiosos.

Como garantir liberdade com respeito?

Muitas coisas me incomodam mas eu tenho que conviver com elas. Essa convivência entre contrários é bastante complicada, mas faz parte da vida democrática, da vida em sociedade. Esta é uma discussão que passa pelas charges provocativas do Charlie Ebdo, pela propaganda estereotipada com mulheres seminuas; pelos comunicados oficias do Governo que mentem para os contribuintes.


Penso que, nesse sentido, o trabalho do CONAR é muito útil para a sociedade, para aproximar agências de publicidade que tem toda sorte de táticas para seduzir e muitas vezes escolhem o baixo nível como arma - em comum acordo com clientes -, do público em geral. Mas também olhando para as decisões do CONAR vemos que as queixas muitas vezes são feitas por uma única pessoa.  Uma única pessoa que se sentiu incomodada por sabe se lá qual apelo ou mensagem resolve tirar uma campanha publicitária inteira do ar...se continuarmos assim em breve ninguém faz mais nada, tudo fica proibido por antecipação.

Exagero meu? Exagero nosso?

Acho que a pergunta deveria ser: como retirar da cabeça e da mentalidade de alguns os estereótipos que contribuem para a desqualificação da outra pessoa? Penso que você pode ter toda a liberdade do mundo. Ela deve ser usada de forma responsável e você deve saber que ela termina onde começa a liberdade do outro. tenho essa preocupação até aqui nesse meu blog.Trata-se de uma negociação permanente. Também percebo que em certo momento, alguém que não queira ver a mulher ser representada apenas pelos seus atributos físicos ("mulher objeto") pode se alinhar com a opinião de um religioso mais extremado que defenda o banimento das imagens das mulheres nuas nas capas das revistas. Exagerando-se mais um pouco: muito em breve a venda de biquínis pode ser proibida pois alguém chegou à conclusão de que ela estimularia o estupro. Será possível? Em alguns lugares é muito pior que isso...


Exageros à parte, a última propaganda da ITAIPAVA, analisada pelo CONRA tinha os dizeres "Itaipava 100% - Faça sua escolha", impressa em cartazes com a modelo de biquini, exibindo uma garrafa e uma lata de cerveja próximas aos seus seios. Tal imagem provocou a denúncia de alguns incomodados e fez com que o Conselho recomendasse sua retirada. De acordo com o CONAR, as peças foram consideradas excessivamente provocativas e, por conta disso, houve a recomendação dessa suspensão. Bem diferente do caso das latinhas com pin ups da cerveja Conti.


falando sobre isso, lembro que as Havaianas foram mais inteligentes e fizeram seu último filme  "Casais Havaianas" utilizando atores globais em uma situação de escolha de cores dos novos chinelinhos, numa loja e que inverteu o tradicional estereótipo. O resultado foi uma sensacional provocação. No caso, a publicidade inteligente pode ajudar nas discussão dos próprios limites da nossa sociedade e dos nossos próprios tabus e estereótipos que pululam nas cabeças.



Controlar nossos próprios fantasmas é um bom começo para uma sociedade melhor. Dar risada de nossas próprias limitações, medos e micos pode ser uma santo remédio.

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