sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A conversa fiada da comunicação interna.



O título acima não é uma piada. É a mais pura verdade. Contudo, muita calma nessa hora! Quero explicar melhor a provocação nas linhas abaixo, a fim de resolver o aparente mal estar.

Acompanhem comigo. Se a comunicação face a face pode ser considerada como a base de qualquer sistema de comunicação interna organizacional, a tal “conversa fiada” não deveria ser percebida como alguma coisa negativa. Sei que o “jogar conversa fora” é sinônimo de perda de tempo para gestores cujo foco é alcançar a produtividade máxima, mas uma boa conversa baseada na confiança mútua é a força motriz do entusiasmo e da motivação, além de ser a melhor dinâmica para o entendimento e o alcance das metas e a superação de desafios, bem como a alavanca de times de alta performance. Muito diferente do simples cumprir ordens ou do escutar o monólogo do chefe, sem dar um palpite sequer.

Saber dialogar é saber fluir numa via de mão dupla, aberta, uma vez que “dois monólogos não fazem um diálogo” como já foi escrito outras vezes, pelos colunistas da ABERJE. Por isso, a conversa fiada nos ensina a tecer um vai e vem de troca, de esclarecimento mútuo e de colaboração, cooperação e redução das fofocas de corredor. Ora, o que é a maledicência e o sarcasmo do ti ti ti nos corredores das empresas, senão o resultado patente da falta de confiança nos canais oficiais de comunicação interna? Quanto prejuízo as empresas não têm com conversas decoradas, sem energia ou crença real nas palavras, quase como num baile de máscaras?

O fiar de uma conversa é portanto, a possibilidade de se valorizar o diálogo enquanto escuta atenta do outro interlocutor, percebendo a riqueza de pontos de vista diferentes e muitas vezes inovadores. Uma conversa fiada na base da confiança substitui o simples disparo de informações e encerra em definitivo com o antigo conceito de um emissor enviando uma mensagem para um receptor passivo.

Assim, a comunicação interna de sucesso será aquela que sabe tecer vínculos confiáveis, construindo redes de conversação. Não é esta a grande dificuldade da maioria das empresas? Saber conversar de forma confiável, produtiva e sem a hipocrisia e as disputas de poder e vaidade entre as áreas?

Uma conversa capaz de fiar o tecido organizacional, costurando o mosaico das partes para compor o todo, perseguindo um resultado comum. Em busca de uma marca mais admirada e valiosa. O saber conversar deve ser entendido como a competência necessária da gestão para tecer relações que compartilhem conhecimentos, reconheçam e revelem potencialidades, respeitem múltiplos pontos de vista, esclareçam os objetivos do negócio, bem como as mudanças nas rotinas e nos processos de trabalho. Praticada através de feedbacks produtivos e programas frequentes de gente e gestão, que estimulem líderes comunicadores e facilitem o diálogo entre os times de trabalho, tornando-os mais integrados, engajados e eficientes.

Ou seja, a comunicação interna deve ser sim, uma bela conversa fiada!

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