sábado, 20 de fevereiro de 2016

Apple x FBI?

Nos Estados Unidos, todas as empresas de tecnologia e telecomunicações são obrigadas a colaborar com os órgãos governamentais nas investigações de crimes e casos de terrorismo. Assim, marcas como Google, Microsoft, Verizon, AT&T e a Apple são impactadas por decisões das autoridades e devem facilitar a entrega de informações de seus clientes e a abertura de dados privados sobre usuários suspeitos de atos terroristas e criminosos. Nesta semana, a Apple recebeu uma intimação que é uma grande novidade nesse tipo de colaboração. O Tribunal da California obrigou a empresa, a pedido do FBI, a polícia federal norte-americana, a desenvolver uma espécie de "chave-mestra" para o desbloqueio de um aparelho iPhone 5C utilizado pelo assassino que fuzilou 14 pessoas, em dezembro de 2015, em conjunto com sua esposa, também terrorista. A Apple até o momento negou-se a colaborar argumentando que essa ordem abre um precedente perigoso contra a privacidade dos usuários. Seu presidente, Tim Cook mostrou-se veementemente contra a ordem judicial defendendo que esse programa, criado por causa de um único aparelho, iria tornar-se a chave para acesso de milhares de aparelhos e iria colocar em risco o próprio modelo de negócio da companhia. A empresa também publicou uma carta aberta em seu site sobre o caso, para alertar seus clientes em todo o mundo.



O presidente da Google, Sundar Pichai, também saiu em defesa da Apple, tuitando seu apoio. 


A pergunta que vai ficando no ar é se as ordens de juízes podem obrigar um Facebook a abrir informações pessoais  que possibilitem diminuir riscos ou atentados criminosos? Se um Google ou um Bing deveria enviar para a polícia uma lista de pessoas que teriam pesquisado o termo "Estado Islâmico" ou "FARC" ? Só para recordar, m caso brasileiro semelhante e bem recente: o WhatsApp foi tirado do ar por desobedecer uma ordem judicial  de entrega de dados, lembram?

As crises são assim: mudam conforme o segmento de atuação de uma empresa e impactam as marcas globais de forma global. A questão entre segurança e privacidade é um debate permanente no setor de tecnologia e telecomunicações. Uma coisa é certa, em todas as áreas: o Governo vai estar sempre criando novos tipos de crises e riscos para os negócios. 

E você, o que acha disso tudo?

Um comentário:

Anônimo disse...

Professor, no Brasil, a LEI Nº 12.965, DE 23 DE ABRIL DE 2014, estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da internet no Brasil e determina as diretrizes para atuação da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e considera para os efeitos da Lei até o "endereço de protocolo de internet (endereço IP)". Isso é invasão de privacidade?