segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Empresas são organismos vivos.


As empresas são organismos vivos, redes biológicas feitas por cada pessoa que dá vida à organização na qual trabalha. Olhar a empresa como um sistema vivo permite a percepção de vínculos entre o racional e o emocional, a flexibilidade e a evolução, a capacidade de inovação contagiante e o desejo de crescer, multiplicar, progredir. Quero pontuar aqui a saúde da empresa como reflexo da saúde de cada empregado e como isso afeta a organização, um sistema de múltiplas conexões. Compreender e administrar a empresa e a sua marca como um único elemento repleto de vidas que se energizam, gera um entusiasmo nas pessoas que ali trabalham e se encontram, trocam, conversam e produzem de forma saudável ou doentia muitas vezes parece algo inexplicável. Mas é fato visível no chamado  brilho no olhar das pessoas e sentido em diferentes momentos de diferentes organizações.

Somos humanos. Somos?

As nossas ações, atitudes, pensamentos, exemplos e conversas influenciam o ambiente de trabalho.Eu mesmo já vivenciei momentos em diferentes empresas nas quais eu trabalhei cuja energia vital era positiva pois refletiam o desejo de se fazer uma organização capaz de cuidar dos negócios e também das pessoas. Lembro da CSN, sob gestão de Maria Silvia Bastos Marques e uma comunicação interna que foi referência no segmento, colocando os empregados como protagonistas e buscando a permanente conscientização dos gestores para o lado humano de uma mega siderúrgica. Lembro do primeiro projeto de relato da sustentabilidade na Vale, sob comando de Roger Agnelli, traduzindo em processos um compromisso de respeito à vida que naquele momento foi referência na mineração mundial. Mas não são só as boas lembranças, pois tenho conhecido outras empresas cujas vibração e o astral são reflexos de uma administração cujo foco está no bom relacionamento, na saúde, na vitalidade e na energia das pessoas. A marca Beleza Natural é uma delas, basta entrar na fábrica, conversar com as colaboradoras. A Reserva, na área de moda, me parece outro bom exemplo desse ritmo e dessa percepção maior, conjunta das conexões e da energia vital que o ser-humano é capaz é de gerar.



Organizações não são como uma grande geladeira cheias de latinhas de de cerveja.

Pensar a empresa, seja ela de controle estatal ou surgida a partir da livre iniciativa, não deve ser tarefa para quem enxerga as coisas somente através de uma lógica mecanicista. Organizações humanas não são como um relógio ou um fotocopiadora, nem tampouco como uma grande geladeira cheia de latas de cerveja ou cheia de matrículas que se alinham numa planilha de Excell.  Também não é um amontoado de cabides de emprego.

Algumas empresas, em certos momentos de sua existência, florescem com base nessa biologia empresarial dinâmica e não como um agregado de recursos humanos e matérias primas. Ao perceberem essa diferença entre coisas, gente e significados, entre pessoas e head count ganham muito mais sentido num tempo no qual o planeta nos desafia com suas mudanças climáticas e o ambiente não suporta mais ser tratado como uma grande lixeira, um imenso depósito de resíduos, sobras e desperdícios.

Enxergue as pessoas como...pessoas!

O problema é que se você só enxerga a empresa como uma máquina, não vai ter tempo nem espaço para o sorriso, o fígado, nem para o coração (será que é por isso que muito executivo morre infartado?) ou para os afetos - como somos afetados em nossos relacionamentos diários. Muito menos para o espírito! Mas esse já é outro patamar de consciência organizacional.

Portanto, pergunta válida para a sua próxima reunião sobre clima de trabalho, great place to work e comunicação interna enquanto ferramenta de gestão de pessoas: como vai a saúde dos seus funcionários? Há espaço para se falar nisso? Ou essa reunião já começou contaminada?

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