terça-feira, 4 de julho de 2017

Um tsunami digital?




Estamos vivendo um tempo de excessos. Excessos de informações, dados, mensagens e ruídos em nossas conversas diárias. Somos bombardeados por milhares de estímulos. Neste cenário de um mundo web hiperconectado vivemos um tempo de excessos nos grupos de conversa pelo Whatsapp, Telegram, Messenger, We Chat e seus similares. 

Nas empresas, a antiga rádio corredor virou uma espiral eletrônica de grupos e mais grupos reunidos para disparar, sem qualquer critério, todo tipo de mensagem.  Gestores bem intencionados montam grupos extras para falar com suas equipes, mantendo o envio de e-mails e os chats corporativos ampliando o mar de excessos. A falta de critérios produz uma quantidade de piadas, memes, textos, fotos e comentários entre tolices, futilidades e também assuntos sérios que tumultuam a agenda mental dos profissionais. 

O momento político no Brasil é outro fator de dispersão a cada nova denúncia, ação da Polícia Federal, delações, decisões do Congresso ou do STF. Os ânimos acirrados também afetam o emocional. Quem não tem foco e critério acaba vendo o seu tempo de trabalho perder horas valiosas numa dispersão perigosa e que produz cansaço mental e por tabela, baixa produtividade.

Num tempo de fake news surgidas a partir da possibilidade de que qualquer usuário possa criar e emitir conteúdos, gerar notícias e enviar a sua opinião (sobre todo tipo de assunto), este excesso que muitas vezes aparenta ser uma questão de transparência é na verdade um desequilíbrio quantitativo. Nesse tsunami digital precisamos  buscar oxigênio para manter o foco naquilo que interessa para o dia a dia do trabalho. Precisamos separar o joio do trigo e enxergar com mais clareza o conjunto disponível de informações e assim definir o que é relevante e urgente.  

O excesso nos cansa e nos tira do foco.

Nesse ambiente sobrecarregado, aquilo que é urgente e importante vai ficando misturado com aquilo que é postergável, fútil, inútil. Juntemos a esses grupos ainda o mar de e-mails e as horas para acompanhar as demais plataformas on line como Facebook, Twitter, Linkedin etc. e nosso dia ganha uma sobrecarga exaustiva de estímulos dos quais ninguém pode dar conta. Certamente, apenas os algoritmos e os robots.

Qual a solução?

As empresas podem e devem buscar soluções para essa nova realidade através da orientação aos seus empregados. Treinamentos e capacitações, palestras e diretrizes para o universo das redes sociais dever ser ensinada a fim de evitar déficits de atenção, garantir melhor administração do tempo e também diminuir a repercussão da rádio corredor agora uma rádio zap zap instantânea. 

Educar para o universo social é vital em tempos digitais. 

A magia dessas ferramentas e tecnologias iludem e encantam, mas devem ser percebidas também naquilo que podem atrapalhar o andamento das rotinas de trabalho. a inovação deve ser acompanhada de um maior entendimento dos cenários assim como a disrupção (outra palavra da moda) permanente causa um sentimento de inquietude e pode gerar ansiedade e stress nos times de trabalho. Uma novidade a cada minuto causa a sensação de que a estabilidade nunca mais será alcançada. 

Vamos manter os pés no chão e orientar os empregados e os gestores para buscarem critérios na seleção do que realmente importa para o dia a dia do trabalho. Esta é uma contribuição valiosa que a área de comunicação corporativa pode dar para a empresa.

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